Por que motivo a incidência do cancro aumenta com a idade?

Estudo publicado na revista “Oncogene”

06 julho 2012
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James DeGregori, investigador americano, argumenta contra a visão convencional de que é a acumulação de mutações causadoras do cancro, ao longo da vida, a responsável pela maior incidência do cancro nos idosos. No estudo publicado na revista “Oncogene” os investigadores defendem que são as alterações das características dos tecidos que promovem uma taxa de cancro elevada nos idosos.

 

O investigador da University of Colorado Cancer Center, nos EUA, refere que no momento em que o crescimento é interrompido, já se acumularam muitas das mutações que iremos apresentar ao longo da vida. Assim, se o desenvolvimento do cancro for devido à acumulação de cinco ou seis mutações, deveriam ocorrer elevadas taxas de cancro por volta dos 20 anos, quando a taxa de mutação é mais elevada. De acordo com DeGregori, tal não acontece porque, nos jovens, as células dos tecidos saudáveis circundantes combatem as células com mutações, impedindo assim o aparecimento do cancro.

 

Por outro aldo, James DeGregori, refere que mesmo os tecidos saudáveis estão repletos de mutações oncogénicas. “Estas mutações são mais comuns que os cancros associadas a elas, refere o investigador. Mais mutações não significam mais cancro, não através do envelhecimento da população e mesmos em tecidos específicos.

 

James DeGregori refuta ainda a visão convencional com o processo de evolução, durante a qual se devolveu maquinaria complexa para manter os tecidos e evitar o desenvolvimento das doenças. “Não somos melhores a impedir o desenvolvimento das mutações dos que as leveduras ou bactérias. Se as mutações fossem a chave para evitar o desenvolvimento do cancro, será que o nosso organismo não tinha evoluído de modo a evitar de forma mais eficaz a ocorrência de mutações”, acrescenta o investigador.

 

Por último, se os oncongenes fossem os “vilões” capazes de se apoderarem do tecido circundante, a introdução de oncogenes em células estaminais de ratinhos ajudaria em vez de danificar a sobrevivência destas células.

 

Assim, o investigador defende que, contrariamente à tese de que estamos a acumular mutações até se desenvolver o cancro, são os mecanismos utilizados pelas células adultas para combater o cancro que se deterioram com o envelhecimento. Os tecidos circundantes alteram-se e deixam assim de ter a mesma capacidade de combate às células mutadas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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