Por que morreram 21 pessoas nos fogos de 2003?

Investigador português foi à procura de respostas

07 maio 2004
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Para tentar desvendar o que se passou nos incêndios do Verão passado, onde morreram 21 pessoas, apanhadas pelo fogo, Domingos Xavier Viegas, director do Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais, da Universidade de Coimbra, decidiu estudar cada um dos 18 acidentes que provocaram a morte de 21 pessoas durante os catastróficos fogos de 2003. O resultado está no livro «Cercados pelo Fogo», que é lançado na próxima segunda-feira, dia 10, em Coimbra. Entrevistado pelo jornal «Público», Domingos Viegas considera que as mortes pelo fogo devem ser estudadas com rigor. E de cada caso devem procurar extrair-se pistas para acções e medidas destinadas a evitar mais acidentes no futuro. Investigar as mortes de 2003 foi desbravar um terreno praticamente virgem. Mas, nem o Ministério da Administração Interna, nem o Serviço Nacional de Bombeiros e de Protecção Civil tinham uma lista completa e detalhada dos acidentes. Com a sua equipa, Viegas visitou os locais dos acidentes, conversou com familiares das vítimas, com vizinhos, com bombeiros, recolheu dados meteorológicos e tentou, em cada caso, reconstituir o que se passou. As conclusões são tão chocantes como as de qualquer acidente mortal, em que uma pessoa perde a vida por algo que poderia ter sido evitado. Em Castelo de Vide, por exemplo, um bombeiro sucumbiu a graves queimaduras porque, sem tempo para vestir qualquer equipamento de protecção, foi surpreendido pelas chamas em «T-shirt». «Há populares que vão combater o fogo em tronco nu», ressalta Domingos Viegas. Há dois ou três casos de pessoas que foram apanhadas por contrafogos. Dois idosos morreram vítimas de queimadas que eles próprios faziam. Nestes casos, não se tratava de enormes incêndios, mas de pequenas áreas ardidas, que não chegavam a mil metros quadrados - um décimo de um hectare. Estes acidentes são uma combinação do comportamento do fogo com o comportamento das pessoas. E o comportamento das pessoas depende do que elas sabem do fogo.  Na Austrália, por exemplo, são os próprios bombeiros visitam as aldeias, explicando às pessoas o essencial sobre os incêndios florestais. Fonte: Público

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