Popular tratamento anti-rugas tem efeitos desconhecidos a longo prazo

Especialista alerta para o uso de Botox - uma toxina pouco conhecida

23 novembro 2002
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A popularidade crescente do tratamento anti-rugas à base de Botox tem feito esquecer que se trata de um produto derivado de uma potente toxina cujos efeitos a longo prazo permanecem desconhecidos, advertiu um especialista britânico.
 

 

O alerta foi feito por Peter Misra, neuro-fisiologista no National Hospital for Neurology and Neurosurgery, em Londres, e será publicado na edição de sábado da revista British Medical Journal (BMJ).
 

 

O produto, vendido sob o nome comercial de Botox, é um derivado da toxina do botulismo, uma infecção alimentar grave que pode matar, e obtido a partir de culturas da bactéria "Clostridium botulinum".
 

 

Segundo Misra, a utilização deste produto para fins cosméticos (anti-rugas) aumentou 1.500 por cento nos últimos quatro anos nos Estados Unidos.
 

 

"Trata-se de um veneno extremamente potente, de tal forma que se chegou a pensar que podia ser usado para fins bioterroristas", explicou.
 

 

Desde o início da década de 90, este produto tem vindo a ser cada vez mais utilizado por médicos para atenuar rugas e marcas de expressão provocadas pelo excesso de contracção dos músculos faciais.
 

 

Uma vez injectada em determinado músculo, a toxina liga-se aos seus terminais nervosos e inibe a libertação de acetilcolina, o neurotransmissor responsável por enviar os impulsos eléctricos que contraem o tecido muscular.
 

 

O resultado é a paralisação do movimento muscular, o que produz um efeito "relaxante" nas rugas de expressão.
 

 

"Faltam-nos dados sólidos sobre os seus efeitos no sistema sensorial a longo prazo", adverte o especialista.
 

 

A propriedade da toxina botulínica, de paralisar os músculos, tem indicações terapêuticas, por exemplo, nos doentes com espasmos musculares, vítimas de dores lombares ou cervicais crónicas, certos casos de estrabismo e blefaroespasmo (problema que leva as pessoas a piscarem repetidamente os olhos) ou o excesso de suor nas mãos.
 

 

Aliás, a descoberta do uso estético do Botox para suavizar rugas e marcas de expressão foi feita por um oftalmologista que observou esse efeito em rugas de tipo pé-de-galinha nas pessoas com blefaroespasmo.
 

 

As vendas mundiais de Botox passaram entre 1993 e 2001 de 25 milhões de dólares para 310 milhões (aproximadamente o mesmo valor em euros), para atingirem um valor de 430 milhões de dólares em 2002, um crescimento em grande parte atribuível ao mercado da cosmética.
 

 

Fonte: Lusa

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