Poluição pode causar doenças cardíacas em fetos
31 dezembro 2001
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Mulheres expostas a altos níveis de ozono e monóxido de carbono podem estar até três vezes mais propensas a dar à luz bebés com problemas cardíacos, segundo revelam as conclusões de um estudo norte-americano.
 

 

Os cientistas descobriram que o risco aumenta quando as mulheres são expostas a altos níveis dos poluentes durante o segundo mês de gravidez. Isto acontece quando o feto começa a desenvolver o coração, bem como os outros órgãos.
 

 

Esta é, para os investigadores, a primeira "prova convincente" de que a poluição atmosférica pode ter um papel fundamental na causa de problemas de saúde em bebés.
 

 

O estudo foi realizado na Escola de Saúde Pública da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e segundo a epidemiologista que chefiou a investigação, Beate Ritz, "quanto maior a exposição da mulher grávida a um desses poluentes durante o segundo mês de gravidez, maior o risco do bebé desenvolver um sério problema cardíaco".
 

 

Estudos anteriores do mesmo grupo já haviam co-relacionado a poluição atmosférica a efeitos prejudiciais na gravidez, entre os quais ao nascimento prematuro e a bebés que apresentavam baixo peso.
 

 

O ozono está presente no fumo fotoquímico - produzido pela reacção química sob a luz solar dos raios ultravioleta. O monóxido de carbono é um gás incolor e inodoro, sub-produto da combustão, e está presente, por exemplo, no fumo de automóveis.
 

 

O estudo, publicado no American Journal of Epidemiology, analisou mais de nove mil bebés nascidos entre 1987 e 1993 nos distritos de Los Angeles, Orange, San Bernardino e Riverside.
 

 

O trabalho comparou a qualidade do ar próximo das casas das crianças com a qualidade do ar das áreas onde vivem crianças saudáveis. Segundo a epidemiologista Beate Ritz, o estudo mostra que a poluição causa mais problemas nos bebés do que a asma ou problemas respiratórios.
 

 

Mas os cientistas admitem, no entanto, que os resultados da investigação são limitados, já que a qualidade do ar foi medida em institutos oficiais que em alguns casos ficavam a mais de 20 quilómetros de distância do local onde vivem os bebés.
 

 

Além disso, os investigadores não puderam analisar outros factores que causam problemas nos fetos, tais como mães que fumam ou usam suplementos vitamínicos, por exemplo.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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