Poluição e Homem: relação que leva à morte

Convivência com poluentes a longo prazo aumenta risco de morte

07 março 2002
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A exposição ao ar poluído aumenta o risco de morte por cancro do pulmão, bem como por doenças cardiopulmonares. Apesar de não ser novidade para ninguém, um novo estudo norte-americano vem acrescentar alguns dados a esta relação fatal entre o Homem e o meio ambiente.
 

Os níveis elevados de poluição, em particular a causada por pequenas partículas - que podem ser inaladas profundamente pelos pulmões - e pelo óxido de enxofre, foram associados a uma maior probabilidade de morte em sequência de doenças cardiopulmonares, cancro do pulmão e de outras causas.
 

 

Automóveis e indústria
 

 

Os dois tipos de poluição são produzidos pela queima de combustíveis, como a gasolina usada nos motores dos automóveis e outros produtos utilizados em unidades industriais.
 

 

Embora a concentração diária elevada de material particulado (pequenas partículas) tenha sido relacionada ao aumento do risco de adoecer e morrer, o efeito da exposição prolongada a esse tipo de poluição ainda não está bem claro.
 

 

Até ao momento, ninguém sabe exactamente por que razão/ões a poluição é tóxica para os seres humanos. Alguns especialistas suspeitam que os poluentes provoquem inflamação nos pulmões ou estimulem o corpo a libertar substâncias químicas que afectam o funcionamento do coração.
 

 

Para acrescentar mais dados sobre a relação entre o Homem e o meio poluido, uma equipa Universidade Brigham Young, Estado de Utah, EUA, avaliou dados de um longo estudo feito com 1,2 milhões de pessoas. As informações de cerca de 500 mil pessoas eram relacionadas à poluição do ar, ao estado geral de saúde e à causa de morte em 1998.
 

 

À medida que aumentavam os níveis de poluição por pequenas partículas e por óxido de enxofre no ambiente, também crescia a taxa de mortalidade por cancro e outras doenças cardiopulmonares, entre as quais ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC), asma, pneumonia e doenças pulmonares obstrutivas crónicas, como enfisema e bronquite.
 

 

O índice de morte por qualquer outra causa também subiu com a elevação da concentração de poluentes, informaram os autores do estudo ao "Journal of the American Medical Association".
 

O estudo também revela uma correlação entre aumento de material particulado e aumento de risco de morte pelas causas anteriormente referidas. Sempre que o nível de material particulado - menor que dez micrómetros de diâmetro - aumentou em dez microgramas por metro cúbico, houve crescimento de aproximadamente quatro por cento no risco de morte por todas as causas. Também subiu cerca de seis por cento a probabilidade de morrer por doença cardiopulmonar, e oito por cento, em sequência de cancro do pulmão.
 

 

Segundo os autores do estudo, as conclusões reforçam as provas de que «a exposição prolongada à poluição particulada do ar, comum em muitas áreas metropolitanas, é um factor de risco importante para a mortalidade cardiopulmonar».
 

 

Além disso, o tamanho do grupo estudado e o acompanhamento prolongado ofereceram uma oportunidade sem precedentes de avaliar as associações entre poluição atmosférica e mortalidade por cancro do pulmão, acrescentaram os cientistas.
 

 

Tendo em conta outros factores, entre os quais, tabagismo, obesidade, dieta, profissão dos participantes e outros factores que podem conduzir a um aumento do risco de morte, os cientistas reforçam a permanência da associação entre poluição particulada e as mortes por cancro do pulmão e por doenças cardiopulmonares.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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