Poluição atmosférica põe em risco estruturas cerebrais

Estudo divulgado na revista “Stroke”

29 abril 2015
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É do conhecimento geral que a poluição atmosférica é prejudicial ao ser humano. Um novo estudo vem agora também revelar que a exposição prolongada a poluição atmosférica pode danificar as estruturas cerebrais e a função cognitiva em adultos de meia-idade e idosos. 
 
Elissa Wilker, uma investigadora da Unidade de Investigação de Epidemiologia Cardiovascular do Centro Médico Beth Israel Deaconess, nos EUA, que participou neste estudo, explica que “este é um dos primeiros estudos a avaliar a relação entre a poluição atmosférica e a estrutura cerebral. Os achados deste estudo sugerem que a poluição atmosférica tem impacto no envelhecimento da estrutura cerebral, mesmo em indivíduos que não tenham demência e que nunca tenham tido um AVC”.
 
O estudo teve em consideração a distância a que os participantes viviam de autoestradas e recorreram a imagens por satélite para avaliar a exposição prolongada à poluição por material particulado, isto é, pequenas partículas com menos de 2,5 micrómetros de diâmetro (PM2,5). Estas partículas estão associadas a problemas cardiovasculares, de acordo com outros estudos, e resultam da poluição originada por fábricas, automóveis, combustão de madeira, etc. 
 
No estudo participaram pessoas com mais de 60 anos de idade, sem sinais de demência ou AVC. A equipa científica avaliou o volume cerebral total, o volume do hipocampo, o volume da hiperintensidade da substância branca e AVC incompletos.
 
Os resultados revelaram que um aumento de 2µg/m³ de partículas PM2,5 estava associado a uma maior propensão para desenvolver um enfarte incompleto (AVC silencioso) e a um volume cerebral diminuído.
 
Portanto, os participantes que viviam em zonas mais poluídas apresentavam um volume cerebral equivalente ao de uma pessoa um ano mais velha e um risco 46% superior de vir a sofrer um AVC silencioso. Consequentemente, os AVC silenciosos aumentam o risco de desenvolver outros acidentes vasculares cerebrais, demência, problemas motores e depressão. 
 
Wilker afirma que estes resultados são um importante passo para entendermos o que se passa no cérebro.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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