Poluição atmosférica mata: regulamentação da UE inadequada?

Estudo publicado na “Lancet”

30 dezembro 2013
  |  Partilhar:

Um novo estudo apurou que a poluição atmosférica consegue matar mesmo não atingindo os limites estabelecidos atualmente pela União Europeia.
 

Os limites de poluição atmosférica atualmente estabelecidos pela União Europeia (UE) situam-se nos 25 microgramas por metro cúbico.
 

A equipa, constituída por investigadores de várias nacionalidades, analisou informação recolhida de 22 estudos, que abrangia um período de 20 anos e incluía 367.251 residentes em cidades de grande dimensão de países europeus. Os 22 estudos foram realizados no âmbito do European Study of Cohorts for Air Pollution Effects (ESCAPE).
 

Os residentes foram monitorizados durante um período de quase 14 anos. Durante este período, morreram 29.076 pessoas por morte natural.
 

A equipa utilizou modelos de regressão para calcular a exposição dos residentes à poluição atmosférica e as concentrações de poluentes atmosféricos nos domicílios dos mesmos. Foi também alvo de monitorização a densidade do tráfego nos 100 metros que rodeavam os domicílios dos residentes.  
 

Os investigadores descobriram que a exposição prolongada à poluição atmosférica constituída por partículas finas, com um diâmetro inferior a 2,5 mícrones (PM2,5) era extremamente perigosa para a saúde. Isto verificava-se quando as concentrações destas partículas se situavam em índices inferiores aos 25 microgramas por metro cúbico delimitados pela UE.
 

A equipa determinou ainda que cada aumento de cinco microgramas de poluentes por metro cúbico em pessoas que estavam expostas a PM2,5, fazia aumentar o risco de morte por causa natural em 7%. Portanto a equipa concluiu que “a exposição prolongada a partículas finas de poluição atmosférica está associada à mortalidade por causas naturais, mesmo em níveis de concentração bem inferiores ao atual limite médio anual da Europa”.
 

O limite atual de concentração de poluentes atmosféricos determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) situa-se nos 10 microgramas por metro cúbico, um valor bastante inferior ao estabelecido pela UE.
 

Os investigadores sustentam, portanto, que se a UE alterasse os seus valores de concentração de poluentes atmosféricos no sentido de os igualar aos da OMS, muitos benefícios poderiam ser alcançados em termos de saúde para os europeus, como a redução da morbilidade e da mortalidade por causas naturais.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.