Poluição atmosférica eleva risco de ataque cardíaco

Um estudo preocupante que, junto com outros, aponta para um efeito maléfico da poluição na saúde cardíaca

11 junho 2001
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Um estudo conduzido por investigadores norte-americanos e publicado na 12a edição de Junho do Circulation: Journal of the American Heart Association, aponta para um aumento do risco de ocorrência de ataque cardíaco em pacientes vulneráveis após poucas horas de exposição a picos de poluição atmosférica.
 

 

Este estudo envolveu 772 pessoas da área de Boston que sofreram ataques cardíacos. Os resultados mostram que, uma exposição temporária a altas concentrações de pequenos poluentes atmosféricos, como aqueles libertados para o ambiente durante a hora de ponta, aumenta consideravelmente o risco de ocorrência de enfarte agudo do miocárdio de 50% a 70%. Um aumento substancial na poluição atmosférica de 2 a 24 horas antes dos doentes começarem a apresentar sintomas elevava o risco de ataque cardíaco.
 

 

Investigações posteriores haviam já demonstrado, não só o efeito nefasto de picos de alta poluição no coração, mas também do seu efeito no aumento da tensão arterial, aumento da frequência cardíaca e como causador de problemas em desfibriladores cardíacos implantados. O efeito da qualidade da alimentação na saúde cardíaca a longo prazo também havia já sido demonstrado.
 

 

Baseados nestas crescentes evidências as pessoas mais susceptíveis, como pessoas idosas com factores de risco (tensão arterial elevada e diabetes), têm sido aconselhadas a ouvirem as notícias e alertas de poluição que muitas estações já transmitem.
 

 

Foram desaconselhadas a realizarem actividades ao ar livre nos dias quentes e nublosos quando os níveis de poluentes são especialmente altos. Se possível, os pacientes de risco devem-se manter em ambientes com ar condicionado já que estes poluentes constituídos por partículas muito pequenas podem penetrar nas casas se não forem filtrados.
 

 

Os cientistas especulam que estas partículas ínfimas se depositam nos pulmões e desencadeiam uma resposta inflamatória que torna o sangue mais espesso e com maior tendência para coagular e formar trombos.
 

 

A Environmental Protection Agency dos EUA, responsável pela monitorização e regulamentação da poluição ambiental, baseada nestes e noutros estudos, marcou os limites de poluentes que meçam menos de 2,5 micrómetros para 65 miligramas por metro cúbico. Segundo estes standards ninguém deve ser exposto a valores superiores a estes durante o período de 24 horas.
 

 

O presente estudo mostra que até níveis inferiores aos estipulados por esta agência podem aumentar o risco de ataque cardíaco.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters Health

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