Poluição atmosférica e recém-nascidos: saúde afetada décadas mais tarde?

Estudo publicado na revista “Environment International”

26 janeiro 2018
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Bebés expostos, no útero, a níveis elevados de poluentes atmosféricos revelaram telómeros mais curtos, o que aumenta os riscos para a saúde
 
Um novo estudo indicou que os bebés que tenham sido expostos a níveis elevados de poluição atmosférica durante o período gestacional, revelavam telómeros mais curtos, o que está associado a riscos acrescidos para a saúde.
 
Conduzido por investigadores liderados por Deliang Tang e Frederica Perera da Faculdade de Saúde Pública Mailman da Universidade de Columbia, EUA, o estudo analisou crianças nascidas antes e depois do fecho de uma central elétrica a carvão na China, tendo descoberto que as que tinham sido concebidas e nascido antes do fecho da central, apresentavam telómeros mais curtos.
 
Os telómeros são secções de ADN que permitem que os cromossomas sejam copiados fielmente durante a divisão celular. No entanto, de cada vez que as células se dividem, os telómeros ficam gradualmente mais curtos. 
 
Este encurtamento dos telómeros resulta numa perda da estabilidade genómica e está associado a doenças como o cancro, doenças cardíacas, envelhecimento, declínio cognitivo e morte prematura.
 
Para o estudo, os investigadores analisaram o comprimento dos telómeros a partir do cordão umbilical de 255 recém-nascidos, em que cerca de metade tinham nascido antes do fecho da central elétrica a carvão e a outra metade após o fecho da mesma.
 
Nos bebés nascidos antes do fecho da central elétrica, foi verificada uma presença mais elevada de biomarcadores de componentes tóxicos atmosféricos típicos da proximidade de centrais elétrica a carvão. Estes biomarcadores estão, por sua vez, associados a um menor comprimento dos telómeros, assim como níveis inferiores da proteína BDNF que está envolvida no crescimento neuronal.
 
“Sabe-se que o comprimento dos telómeros de um indivíduo na altura do nascimento, influencia o risco de doenças décadas mais tarde, durante a idade adulta”, explicou Deliang Tang.
 
“É necessário um seguimento para avaliar o papel desempenhado pela extensão dos telómeros sobre os resultados em termos de saúde no contexto da exposição, no início da vida, à poluição atmosférica”, concluiu a investigadora.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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