Poluição atmosférica associada a recém-nascidos de baixo peso

Estudo publicado em “The Lancet Respiratory Medicine”

22 outubro 2013
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A poluição atmosférica poderá aumentar o risco de baixo peso à nascença, mesmo com níveis abaixo dos considerados aceitáveis pelas diretivas da União Europeia, atesta um estudo de grande dimensão.

O baixo peso ao nascimento pode trazer complicações respiratórias durante a infância, assim como outros problemas de saúde ao longo da vida.

Conduzido por uma equipa de investigadores europeus, o estudo incidiu sobre os dados recolhidos previamente em 14 estudos que envolveram 74.000 mulheres oriundas de doze países, que tinham dado à luz entre 1994 e 2011.
 

As conclusões apontaram que a exposição a todos os poluentes atmosféricos, especialmente a partículas em suspensão com um diâmetro inferior a 2,5 micra (PM 2,5) aumenta o risco de baixo peso nos bebés, sendo que cada aumento de cinco microgramas por metro cúbico corresponde a um aumento de 18% no risco de nascimento com baixo peso.
 

A equipa apurou também que o aumento desse risco mantém-se mesmo com níveis abaixo do limite de qualidade do ar atualmente definido na União Europeia, o qual é de 25 microgramas por metro cúbico.
 

Estas partículas poluentes são emitidas por veículos, sendo em grande concentração nas áreas urbanas. Os investigadores acreditam que poder-se-ia evitar uma grande quantidade de casos de recém-nascidos com baixo peso se esta contaminação fosse reduzida.
 

As mulheres envolvidas no estudo estiveram expostas a níveis de PM 2,5 entre os 10 e os 30 microgramas. A equipa acredita que se poderia prevenir os casos de baixo peso no nascimento em 22% nos partos de mais de 37 semanas se os níveis de PM 2,5 na União Europeia estivessem estipulados nos 10 microgramas, que é o valor adotado pela Organização Mundial de Saúde.
 

Os resultados deste estudo vêm sugerir que a poluição atmosférica será responsável pelo nascimento de bebés com baixo peso, sendo que os responsáveis pela legislação deveriam rever a política de qualidade do ar, no sentido de promoverem o melhoramento do ar que respiramos.
 

Considerando que é difícil evitar-se a nível individual a poluição atmosférica, as grávidas poderão no entanto adotar alguns comportamentos no sentido de reduzirem a sua exposição a poluentes atmosféricos: evitar atividades físicas na hora de ponta, em áreas de tráfego intenso e outras áreas poluídas; minimizar fontes poluidoras dentro de casa, como fogões e aquecimentos a gás e a lenha; ventilar bem a casa; se possível morar numa zona rural ou menos urbana durante a gravidez; procurar ter o quarto numa parte que não esteja virada para uma zona de tráfego intenso.
 

Um estudo também recente tinha apontado que as grávidas que estão expostas a altos níveis de poluição atmosférica apresentam um risco duplamente maior de virem a ter um filho com autismo.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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