Poluição agrava problemas cardíacos

Inalação de partículas finas tem implicações cardiovasculares

30 julho 2002
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Respirar um ar poluído é um problema para quem sofre de males pulmonares, como a asma. Mas também pode agravar os problemas cardíacos, segundo um estudo agora publicado na revista "Circulation", da Associação Norte-Americana de Cardiologia.
 

 

O estudo - liderado por Juha Pekkanen, do Instituto Nacional de Saúde Pública de Kuopio, Finlândia - procurou avaliar o efeito da inalação de partículas muito finas que saem dos escapes dos automóveis a diesel e das chaminés das fábricas - uma preocupação crescente em termos de saúde pública.
 

 

O trabalho envolveu observar, durante seis semanas, 45 pessoas com problemas cardíacos, que vivem em zonas de Helsínquia onde facilmente se pode medir a poluição atmosférica. Duas vezes por semana, os voluntários fizeram um teste de exercício físico. Os resultados eram cruzados com a concentração de partículas finas no ar nesses dias.
 

 

Dois dias depois de respirar um ar muito poluído, os voluntários apresentavam um nível significativamente elevado de isquemia - uma redução do fluxo sanguíneo. O ritmo cardíaco também revelou aumentos depois da exposição à poluição - de uma média de 61 batidas por minuto, para 90 batidas por minuto.
 

 

Num comentário na mesma revista, Murray Mittleman, director do departamento de epidemiologia cardiovascular da Universidade de Harvard, apontou algumas lacunas no estudo de Juha Pekkanen. Mas afirmou que o trabalho ajuda a explicar como a poluição pode afectar os cardíacos. Mittleman lembra que o problema das partículas não se restringe a cidades com evidentes problemas de poluição, como Los Angeles ou Houston, mas também se dá em áreas aparentemente mais limpas, como Boston, Seattle ou Minneapolis.
 

 

Pouca visibilidade é, aliás, uma das características das partículas finas. O fumo negro libertado por automóveis a diesel mal regulados é constituído mais por partículas de maior dimensão. As menores podem sair dos escapes quase sem darmos por isso. Devido à sua reduzida dimensão, penetram profundamente no sistema respiratório e entram na corrente sanguínea, atingindo vários órgãos - de acordo com outro estudo publicado anteriormente na revista "Circulation".
 

 

Fonte:Público
 

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