Poluentes ambientais têm impacto na reprodução masculina

Estudo liderado pela Universidade de Coimbra

02 outubro 2013
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A exposição a poluentes presentes no ambiente, mesmo em pequenas concentrações, tem impacto direto na reprodução masculina, dá conta um estudo internacional liderado por um investigador da Universidade de Coimbra (UC).
 

O estudo, liderado por João Ramalho-Santos e desenvolvida pela doutoranda Renata Tavares, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC, reproduziu, “pela primeira vez”, em laboratório, “o que se passa na natureza, expondo espermatozoides humanos a concentrações de um pesticida iguais às encontradas no ambiente”.
 

A nota enviada pela UC, à qual a agência Lusa teve acesso, refere que a equipa de investigadores recorreu ao DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano), pesticida que, apesar de estar proibido, continua a ser usado em “zonas endémicas de malária”.
 

Ao expor as amostras de esperma humano a “concentrações um milhão de vezes inferiores às utilizadas em estudos anteriores”, os investigadores provaram que “as quantidades de pesticida presentes na natureza provocam danos no espermatozoide”.
 

Estes “disruptores endócrinos” (substâncias que provocam alterações hormonais no organismo) “boicotam a comunicação intracelular, afetando a atividade do espermatozoide que começa a tentar ‘fertilizar’ sem a presença do ovócito, o que causa a sua morte”, explica o coordenador do estudo, desenvolvido ao longo dos últimos cinco anos.
 

“Ao mimetizar em laboratório as baixas concentrações presentes no meio ambiente”, o estudo “abre caminho para se verificar os efeitos do contacto com outros poluentes, como por exemplo, dioxinas, no decréscimo da fertilidade masculina”, disse João Ramalho-Santos.
 

Já “havia evidências de que diversos poluentes interferiam na função do espermatozoide, mas não era possível confirmar este efeito porque os estudos realizados envolviam quantidades de pesticida muito superiores” àquelas a que os indivíduos estão expostos.
 

“Agora temos as provas científicas que as concentrações às quais o homem pode estar exposto podem provocar o aumento da infertilidade”, concluiu João Ramalho-Santos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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