Polifarmácia em idosos: reduzir prescrições poderá ser muito benéfico

Estudo publicado na revista “Public Policy & Aging Report”

11 dezembro 2018
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Uma equipa de investigadores sustenta que a redução do número de medicamentos prescritos a idosos poderá surtir benefícios surpreendentes.
     
Com efeito, James Goodwin, diretor de investigação da organização Age UK, Reino Unido, e Brian Kaskie, editor-chefe da revista "Public Policy & Aging Report” juntaram-se para escrever a introdução para uma edição da revista que aborda esta problemática atual: a polifarmácia ou polimedicação, definida como o uso de muitos medicamentos em simultâneo.
 
Os especialistas identificaram vários fatores que contribuem para a polifarmácia nos idosos e que sumarizaram em seis fatores. Um dos fatores é o aumento da complexidade da prestação dos cuidados de saúde, independentemente do contexto do respetivo país, conduzindo a problemas de coordenação entre os médicos, cuidadores e pacientes.
 
O aumento das comorbidades e de doenças crónicas de longa duração à medida que a população envelhece é outro fator. Acrescenta-se o vastíssimo leque de produtos farmacêuticos, bem como o uso generalizado dos mesmos.
 
Os autores observaram ainda que a construção das diretrizes é frequentemente baseada em doenças isoladas e que os fármacos muitas vezes não são testados nas populações mais idosas.
 
Assiste-se ainda a uma marginalização e retirada de poder aos pacientes mais idosos e uma ausência de tomadas de decisão em conjunto. Finalmente, o último fator consiste no facto de a cultura das sociedades ocidentais pressupor a existência de intervenções médicas a todos os níveis.
 
O papel da redução das prescrições (às quais os autores chamam “deprescribing”) é definido pelos especialistas como “o processo sistemático de identificar e descontinuar fármacos em situações em que os malefícios existentes ou potenciais são superiores aos benefícios dentro do contexto dos objetivos atuais, nível de funcionamento atual, esperança de vida, valores e preferências de um mesmo paciente”.
 
James Goodwin e Brian Kaskie defendem assim que reduzir as prescrições de um mesmo paciente é uma solução viável para o problema da polifarmácia e promove a saúde e qualidade de vida das populações mais idosas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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