Poderá ser possível travar o relógio biológico do cancro?

Estudo publicado na revista “Science Advances”

30 janeiro 2019
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Um novo fármaco possui o potencial de travar o crescimento das células cancerígenas através da manipulação do seu relógio biológico.
 
O achado foi de uma equipa de investigadores da Universidade da Califórnia do Sul, EUA e da Universidade de Nagoia, Japão, e representa um avanço na luta contra o cancro através de uma área emergente na investigação: os ritmos circadianos.
 
A comunidade científica sabe que a perturbação do sono e de outros elementos do ritmo circadiano humano pode prejudicar a saúde. O mesmo sucede com o ritmo circadiano das células. 
 
Os investigadores especularam que se perturbassem o ritmo circadiano das células cancerígenas, poderiam potencialmente prejudicar ou mesmo exterminar aquele tipo de células.
 
A equipa descobriu que uma molécula conhecida como GO289 atua sobre uma enzima que controla o ritmo circadiano das células. Esta interação entre fármaco e proteína afeta, por sua vez, as funções de quatro outras proteínas que são importantes para o crescimento e sobrevivência celulares.
 
Segundo a equipa, a GO289 encrava a engrenagem do ritmo circadiano das células, o que desacelera os seus ciclos, mas com um impacto mínimo sobre as células saudáveis.
 
“Nalguns cancros, a doença apodera-se do mecanismo do relógio circadiano e usa-o para o propósito maligno de se desenvolver”, explicou Steve Kay, um dos investigadores do estudo da Universidade da Califórnia do Sul. “Com a GO289, conseguimos interferir nesses processos e evitar que o cancro evoluísse”, adiantou.
 
Nas interações iniciais com células humanas de cancro dos ossos, a GO289 desacelerou o ritmo circadiano do tumor através da atuação sobre uma enzima conhecida como CK2. 
 
Posteriormente, os investigadores testaram a GO289 noutros cancros, nomeadamente em células humanas de cancro do rim e em ratinhos com leucemia mieloide aguda. Como resultado, a GO289 afetou o metabolismo das células cancerígenas e outras funções relacionadas com o ritmo circadiano que, de outra forma, permitiriam que o cancro se desenvolvesse e espalhasse.  
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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