Poderá o doping genético assombrar Jogos Olímpicos no futuro?

Alerta lançado por especialistas

02 agosto 2012
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Apesar de todo o esforço, dedicação, treino e sacrifício que é necessário para se alcançar o nível olímpico, os atletas de elite tendem a ter algo que lhes dá vantagem em relação à maioria dos restantes atletas: ADN superior. Tal como a cor dos olhos ou o intelecto, também as capacidades atléticas de um indivíduo são o resultado de combinações genéticas.
 

Contudo, com o advento das terapias genéticas – uma tecnologia muito importante para o tratamento de doenças graves – será que os dias da seleção natural de superatletas estarão próximos do fim?
 

O Dr. Ted Friedman, diretor do Center for Molecular Genetics na University of California, em San Diego, EUA, e membro da World Anti-Doping Agency, refere que o doping genético, ou seja, a modificação do ADN para a obtenção de capacidade físicas superiores, é uma possibilidade tecnológica latente há alguns anos. Especialistas de genética e desporto temem que os Jogos Olímpicos de 2012 possam vir a ser os últimos em que o doping genético não seja utilizado como meio para atingir uma medalha olímpica e que a manipulação dos genes possa um dia atingir a escala do uso de substâncias ilícitas para o melhoramento do desempenho atlético.
 

“Se me perguntarem quantos anos [o doping genético] demorará a ser utilizado, diria que ainda demorará bastante tempo. Mas quantos anos demorará a que um idiota faça alguma coisa estúpida? Isso pode ser amanhã”, refere Friedman.
 

Embora a terapia genética – que consiste em injetar ADN estranho em tecidos musculares e ósseos para alterar a composição genética de um indivíduo de forma a criar proteínas que se infiltram nos tecidos e sangue – ainda seja acompanhada por demasiados efeitos secundários para poder ser utilizada em larga escala, já existem casos de doping em que a proteína (em vez do gene que a codifica) é utilizada para melhorar o desempenho atlético, refere a Dra. Kathryn North, uma investigadora australiana cujo estudo de 2010 acerca do gene ACTN3 (denominado “gene da velocidade”) ajudou a estabelecer a relação deste com atletas de sprint e de potência.
 

Apesar de o doping genético não ser ainda uma realidade, a tecnologia para detetar este tipo de doping irá evoluir a par das técnicas de má utilização das novas tecnologias genéticas, refere North.
 

No entanto, tanto Friedman como North salientam que ter apenas genes favoráveis não garante que estes se expressem da forma desejável. É a combinação de diferentes genes e variantes de genes, associada ao treino, ambiente e atitude que “realmente constituem o fenótipo complexo que é o atleta de elite”, conclui North.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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