Pode a beterraba combater sintomas da altitude?

Estudo publicado na “Nitric Oxide: Biology and Chemistry”

16 outubro 2015
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O sumo de beterraba poderá ajudar o corpo humano a suportar os efeitos danosos da elevada altitude, revela um estudo levado a cabo por cientistas da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e da universidade sueca Mittuniversitetet.
 
Desde que os homens começaram a explorar as montanhas mais altas do mundo que se têm debatido com os efeitos da elevada altitude – conhecidos como mal da montanha – que resultam das baixas pressões e consequente falta de oxigénio.
 
A melhor forma de minimizar os riscos associados a esta doença é a aclimatização, ou seja, simplesmente estar algum tempo a uma determinada altitude elevada até o corpo se habituar aos níveis de oxigénio do local.
 
Uma equipa de cientistas noruegueses e suecos decidiram verificar se sumo de beterraba, rico em nitratos, poderia ajudar o corpo humano a aclimatizar-se mais rapidamente. Para tal empreenderam uma expedição de 39 dias a Katmandu para subir os 3.700 metros do Vale de Rolwaling, no Nepal.
 
Para o corpo se aclimatizar é necessário que os vasos sanguíneos sejam capazes de fazer chegar oxigénio suficiente a todo o corpo. O funcionamento normal destes vasos depende da capacidade do corpo em produzir um composto: o óxido nítrico (ON).
 
Ao nível do mar, o corpo humano é capaz de produzir óxido nítrico sem qualquer problema. No entanto, em altitudes elevadas, onde o oxigénio é mais rarefeito, a produção deste composto torna-se um desafio, porque o organismo necessita de oxigénio para produzir ON.
 
Em caso de dificuldade de produção de ON, o corpo humano possui um sistema de apoio em que este composto é produzido a partir de nitrato, um elemento que se encontra em abundância na beterraba.
 
Visto que os vasos sanguíneos tendem a contrair a elevadas altitudes, os cientistas experimentaram ver se seria possível melhorar a função dos mesmos através do consumo de sumo de beterraba.
 
Tanto homens como mulheres foram avaliados através de ecografia antes e durante a expedição e, tal como esperado, a altitude elevada fez os vasos sanguíneos contrair.
 
Para verificar se o sumo de beterraba provocava o relaxamento dos vasos sanguíneos, os participantes neste estudo foram avaliados depois de beberem dois tipos de sumo de beterraba com um intervalo de 24 horas entre os testes.
 
Um dos sumos era rico em nitratos, enquanto o outro não tinha nitratos (placebo). Nenhum dos participantes, nem os próprios cientistas, sabiam que tipo de sumo de beterraba cada pessoa bebeu antes da medição da função dos vasos sanguíneos. Ambos os sumos foram dados de forma aleatória.
 
O estudo demonstrou que o sumo de beterraba com quantidade elevada de nitratos relaxou os vasos sanguíneos e restabeleceu o fluxo normal nos mesmos, enquanto o sumo placebo não produziu qualquer efeito.
 
Desta forma, os cientistas consideram ter sido este o primeiro estudo a demonstrar que o consumo de sumo de beterraba rico em nitratos pode ter efeitos positivos na função dos vasos sanguíneos em elevada altitude.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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