Pneumonia misteriosa alastra pelo mundo

Cientistas já identificaram família do vírus

19 março 2003
  |  Partilhar:

Ao todo, são 219 o número de casos da síndrome respiratória aguda grave no mundo todo, uma doença misteriosa que evolui de sintomas que lembram gripe para uma pneumonia grave. Só em Hong Kong, onde se concentram os casos da doença, o número de pessoas infectadas subiu de 95 para 123, de segunda para terça-feira.
 

 

A maioria dos pacientes em Hong Kong, assim como nas regiões do Sudeste Asiático onde a doença está concentrada, é profissionais de saúde que cuidaram de pessoas com a doença.
 

 

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a doença já afecta a Eslovénia e o Reino Unido. Existe ainda a suspeita de casos na Austrália, Estados Unidos e Espanha.
 

 

Vírus identificado
 

 

Enquanto a doença se propaga pelo mundo, médicos de Hong Kong identificaram hoje a família do vírus da pneumonia. Segundo os especialistas, o vírus pertence à família paramyxoviridae.
 

 

Para o professor de microbiologia John Tam, membro da equipas de Hong Kong responsável pela descoberta, em princípio, não haverá uma alta taxa de mortalidade
 

 

Apesar de os sintomas provocados serem semelhantes ao da gripe, este vírus não pertence ao grupo dos que provocam esta doença, disse Lo Wing-lok, outro especialista.
 

 

Segundo os especialistas de Hong-Kong, a origem da pneumonia atípica provavelmente tem ligações com um surto de pneumonia que atingiu mais de 300 pessoas e matou cinco na China no final de 2002.
 

 

Um relatório do governo chinês divulgado ontem afirma que «antibióticos não tiveram um efeito óbvio» sobre os doentes. Isso pode indicar a acção de um vírus, já que esse tipo de agente não reage a antibióticos. O relatório afirma, no entanto, que a infecção é tratável.
 

 

Etiologia da síndroma
 

 

Contactado hoje pela Agência Lusa, João Pedro Simas, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), afirmou que sendo o paramyxovirus, o agente responsável pela pneumonia atípica, existem «menos razões para alarme».
 

 

Para o especialista português em patogénese viral, se na origem da pneumonia atípica estivesse um vírus gripal (influenza) haveria mais razões para temer uma pandemia. «Em 1918, a gripe espanhola matou 20 milhões de pessoas, vitimando mais gente do que a I Guerra Mundial», lembrou.
 

 

João Pedro Simas acrescentou, no entanto, que podemos estar perante uma estirpe de paramyxovirus completamente nova, «até mais perigosa e letal que a influenza», já que esta família comporta diferentes tipos de vírus que estão na origem de doenças como o sarampo ou a papeira. Daí que defenda ser necessário trabalhar rapidamente no sentido de confirmar a «etiologia da síndroma».
 

 

Relativamente ao tratamento médico aplicável perante um caso de pneumonia atípica, o investigador comparou-o ao prescrito em situações de «virose», em que apenas se tratam os sintomas ligados à infecção.
 

 

«O que se costuma fazer em casos de infecção viral é um tratamento sintomático, ou seja, tratar os sintomas que surgem associados à infecção, como febre alta, desidratação ou dificuldades respiratórias», disse, indicando que existem poucos tratamentos anti-virais específicos ao contrário do que acontece com as bactérias, para as quais existem vários antibióticos.
 

 

O investigador português salientou, no entanto, a baixa taxa de mortalidade da doença, que em 219 casos registados, vitimou nove pessoas.
 

 

Em estado de alerta
 

 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) aumentou ontem o estado de alerta sobre a pneumonia, mas afirmou que há poucas possibilidades de que a infecção se torne uma epidemia mundial.
 

 

O órgão de saúde da ONU, que no sábado lançou um raro alerta global para viajantes a respeito da doença, disse que a síndrome respiratória originária da Ásia não parece - como se temia no início- ser um tipo de gripe como a que matou 20 milhões de pessoas em 1918.
 

 

«A gripe é facilmente transmissível. A doença com que estamos lidando agora não parece ser tanto assim. A probabilidade de uma pandemia é mínima», disse o chefe da divisão de doenças contagiosas da OMS, David Heymann.
 

 

A OMS convocou 11 laboratórios em dez países para tentar descobrir o causador da síndrome e tratar os doentes, em sua maioria funcionários de serviços de saúde que tiveram contacto próximo com infectados.
 

 

 

Vírus na Península Ibérica?
 

 

Entretanto, o Ministério da Saúde espanhol confirmou a existência de um provável caso de pneumonia atípica no país, num doente que esteve em Pequim no mês de Fevereiro e que se encontra internado em Badajoz.
 

 

Mas, mesmo este caso detectado em Badajoz, não deve passar de um caso de gripe ou pneumonia normal, de acordo com informações recentes prestadas à Direcção-Geral de Saúde pelas autoridades sanitárias espanholas, acrescentou o porta-voz do Ministério.
 

 

Portugal continua sem qualquer notificação da existência de casos de pneumonia atípica, não se confirmando a suspeita relativa a um casal no Porto, que regressou este fim-de-semana de Pequim. Segundo fonte oficial do, o casal já teve alta do Hospital de São João, do Porto.
 

 

Em Portugal estão indicados quatro hospitais para acolher eventuais casos provenientes do exterior: São João e Joaquim Urbano, no Porto, Santa Maria, em Lisboa, e Distrital de Faro.
 

 

As pessoas que tiverem dúvidas quanto à sintomatologia da doença podem recorrer à Linha de Informação de Saúde Pública (808 211 311) e obter as indicações de que necessitem.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

Com agências internacionais e Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.