Pneumonia e sépsis: qual o papel do fígado?

Estudo publicado na revista “Infection and Immunity”

04 agosto 2015
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Investigadores americanos constataram que existe uma associação entre uma molécula produzida pelo fígado e a suscetibilidade à pneumonia durante a sépsis, dá conta um estudo publicado na revista “Infection and Immunity”.
 
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a pneumonia é a principal causa de morte por infeção nas crianças em todo o mundo, tendo conduzido à morte de 900 mil crianças com menos de cinco anos em 2013. A pneumonia, tanto nas crianças como em adultos, está frequentemente associada à sépsis, que é a própria reação inflamatória do organismo à infeção.
 
De forma a tentar criar um cenário de sépsis seguido de pneumonia, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston, nos EUA, trataram modelos animais com um produto bacteriano, para provocar uma resposta semelhante à sépsis, e horas mais tarde inocularam uma bactéria viva nos pulmões. Um dos grupos tinha fígados normais, enquanto outro não expressava um gene que impedia a ativação máxima deste órgão.
 
O estudo apurou que o grupo que não tinha uma resposta completa do fígado era mais provável de morrer de pneumonia, apresentando uma resposta do sistema imunológico comprometida tanto nos pulmões como no sangue, onde mais bactéria vivas tinham sobrevivido. 
 
De acordo com os investigadores, há uma ligação bem estabelecida entre a pneumonia e a sépsis, sendo que ambas aumentam o risco de a outra condição se desenvolver. As duas também ativam o fígado para que este inicie uma resposta de fase aguda, que conduz à produção de proteínas de fase aguda.
 
Segunda explica um dos autores do estudo, Lee J. Quinton, estas proteínas são frequentemente utilizadas como biomarcadores clínicos, mas a sua relevância biológica combinada é meramente especulativa. Contudo, estes resultados agora encontrados sugerem que a ativação do fígado é necessária para manter uma resposta imune adequada nos pulmões.
 
Apesar de ser talvez prematuro especular imediatamente sobre as possíveis aplicações destes achados, os autores do estudo acreditam que a atividade do fígado pode funcionar como uma janela previamente não analisada no contexto da suscetibilidade/defesa da pneumonia.
 
"Uma melhor compreensão de como os diferentes órgãos colaboram para que a resposta imunológica seja iniciada tem importantes implicações clínicas para os pacientes com ou com risco de pneumonia e sépsis. A ideia de que o tecido não-pulmonar pode ser alvo de tratamentos da doença pulmonar é atraente", conclui o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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