Pneumonia atípica: Novos estudos apresentam resultados perturbadores

Vírus sobrevive fora do corpo durante dias

04 maio 2003
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«A descoberta foi a mais emocionante, ou, talvez, a mais perturbadora», classifica assim o chefe da equipa de cientistas da OMS (Organização Mundial de Saúde) que estuda a pneumonia atípica, Klaus Stohr.
 

 

Os cientistas descobriram que, aparentemente, o vírus da pneumonia atípica, doença respiratória que pode ser mortal, é capaz de sobreviver num objecto durante horas ou mesmo dias. São os primeiros estudos científicos que assumem a probabilidade de o vírus sobreviver fora do corpo de uma pessoa, o que leva a admitir que o contágio pode acontecer através dos objectos.
 

 

Segundo um artigo publicado no domingo no jornal Washington Post, o vírus da pneumonia atípica ou Sars (sigla em inglês para síndroma respiratória aguda grave), pode sobreviver durante horas sobre superfícies comuns fora do corpo humano e até por quatro dias em dejectos humanos.
 

 

O vírus pode sobreviver pelo menos 24 horas em superfícies de plástico a temperatura ambiente e pode viver por períodos amplos no frio, segundo novas descobertas científicas de uma equipa alemã.
 

 

Desta forma, os cientistas admitem que ao tocar num teclado de computador ou numa secretária, as pessoas possam ser contagiadas com o vírus da pneumonia atípica.
 

 

Os cientistas alemães ainda descobriram que um detergente normal é incapaz de matar o vírus e indicaram que os esforços para esterilizar as áreas infectadas podem ser ineficazes.
 

 

Também cientistas que realizaram experiências semelhantes em Hong Kong chegaram a resultados idênticos. Por outro lado, cientistas japoneses concluíram que o vírus também resiste a temperaturas extremamente baixas. Ainda sem resultados definitivos, esta mesma equipa admite que o vírus se mantém activo no sangue, em metais, no papel e no algodão.
 

 

As novas descobertas de laboratórios de Hong Kong, Japão, Alemanha e Pequim serão incluídas no web-site da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo o jornal. «É a primeira vez que temos dados convincentes sobre a sobrevivência do vírus. Antes, só especulávamos», disse ao jornal Kalus Stohr, cientista da OMS especializado em Sars. «Estes estudos são muito importantes para o esboço de estratégias de limpeza e desinfecção», adiantou.
 

 

Doença disseminou-se pelos esgotos
 

 

As novas científicas também lançam uma luz sobre como a doença se terá expandido num prédio de 33 andares em Hong Kong, onde centenas de pessoas foram infectadas. Os cientistas descobriram que a doença persiste nas fezes adultas por seis horas, mas na diarreia o vírus sobrevive até por quatro dias. Agora, suspeita-se que a doença se tenha disseminado no complexo de Amoy Gardens por um homem infectado com a Sars que tinha diarreia, devido a um rompimento da canalização de esgoto. Também descobriram que o vírus morre aos 36,9 graus Celsius, mas vive indefinidamente a zero graus.
 

 

De acordo com os estudos, a acidez parece ser importante: as fezes na diarreia são mais alcalinas e, portanto, parecem ser receptivas ao vírus. As fezes dos recém-nascidos, que são mais ácidas, matam o vírus depois de três horas.
 

 

No entanto, os cientistas não descobriram que grau de exposição ao vírus é necessário para que uma pessoa seja infectada. De qualquer forma, as descobertas ampliam as possibilidades de disseminação do vírus, que, acreditavam alguns cientistas, só poderia ser transmitido por contacto pessoal directo.
 

 

Essa suposição advinha do facto da maioria das vítimas da pneumonia atípica terem sido contaminadas por meio de tosse ou espirros de outros infectados.
 

 

 

Apesar disso, Dick Thompson, um médico da OMS envolvido nas pesquisas, disse estar confiante de que o vírus que causa a doença seja contido, sem que seja necessário recorrer a uma vacina. «Nós acreditamos ser possível eliminar esta doença antes que ela entre em ciclo e se torne endémica», afirmou Thompson à BBC.
 

 

China impõe regras rígidas
 

 

Ainda não se sabe se existe uma cura para a Sars, que surgiu na China, em Novembro do ano passado, e já matou mais de 400 pessoas em vários países. Segundo a OMS, Hong Kong, Singapura e Canadá já conseguiram controlar o surto da doença.
 

 

 

A China, no entanto, ainda está a ter dificuldades para conter o vírus - as escolas da capital, Pequim, devem permanecer fechadas por mais duas semanas.
 

 

E as autoridades chinesas bloquearam o acesso a todos os reservatórios de água da capital para evitar que sejam contaminados pelo vírus. Nadar, pescar a navegar nas represas é agora proibido.
 

 

As medidas foram tomadas após publicação de pesquisa da Organização Mundial da Saúde que diz que o vírus sobrevive fora do corpo humano por muito mais tempo do que se imaginava.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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