Plástico feito de restos de comida

Novo polímero biodegradável criado nos EUA

12 dezembro 2002
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Já imaginou comer num recipiente feito dos seus restos de comida? Pode parecer guião de um qualquer filme, mas, na verdade, cientistas norte-americanos estão a desenvolver um novo tipo de plástico, o polímero biodegradável.
 

 

Em vez de deitar o lixo fora de forma definitiva, o engenheiro bioquímico Jian Yu e a equipa do Instituto de Energia Natural do Havaí, em Honolulu, obtiveram o que chamam de uma forma barata de produzir um polímero biodegradável.
 

 

A substância poderia ser usada para armazenar produtos descartáveis, como garrafas, invólucros em geral ou até instrumentos cirúrgicos, segundo os investigadores, cujo trabalho foi publicado na revista Enrvironmental Science and Technology.
 

 

Engenheiros plásticos da empresa britânica ICI começaram a produzir esse tipo de polímero há cerca de uma década, mas usando açúcar puro e ácido orgânico, o que representa um processo muito mais caro.
 

 

Segundo os cientistas de Honolulo, o uso de alimentos desperdiçados pode reduzir os custos em 40 por cento. Os alimentos contêm mais matéria orgânica, que pode ser facilmente digerida pelos micróbios para a formação da biossíntese do polímero, segundo o novo estudo.
 

 

Além de reduzir custos, o novo método é menos agressivo para o meio ambiente do que a fabricação convencional de plásticos. «Descarregamos milhões de toneladas de dejectos orgânicos resultantes da produção e consumo de comida. Colocá-los em depósitos de lixo pode causar muitos problemas ambientais, como mau cheiro e metano, além de atrair insectos.
 

 

Yu e sua equipa reuniram, então, os restos de comida de um restaurante e misturaram tudo com água de modo a criar uma mistura suja e fraca.
 

 

O resultado foi guardado num contentor aquecido e impermeável durante algumas semanas, para que as bactérias que sobrevivem sem oxigénio pudessem multiplicar-se. As bactérias anaeróbias saíram das moléculas orgânicas da comida – o processo libera um ácido que é filtrado através de um estojo de silicone, onde outras bactérias o convertem em polímero biodegradável. «Na minha opinião, a maioria dos nossos pacotes e descartáveis deveriam ser biodegradáveis.
 

 

Os bioplásticos são bons candidatos... para várias aplicações descartáveis de curta duração na nossa vida diária porque podem ser “comidos” pelos micróbios do meio ambiente», explicou Yu.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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