Plasma da serpente pitão pode ajudar a melhorar saúde cardíaca

Estudo publicado na “Science”

10 novembro 2011
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Um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade do Colorado, nos EUA, mostra que grandes quantidades de ácidos gordos que circulam na corrente sanguínea das pitões podem promover o crescimento saudável do coração. Os resultados da investigação, publicada na revista “Science”, podem ter implicações no tratamento das doenças do coração humano.

 

Leslie Leinwand e a sua equipa de investigação encontraram um acentuado aumento na quantidade de triglicerídeos – o principal componente das gorduras naturais – no sangue das pitões da Birmânia, um dia depois de se alimentarem. Apesar da enorme quantidade de ácidos gordos na corrente sanguínea, não existiam evidências de depósitos de gordura no coração das cobras. Além disso, os investigadores também registaram um aumento na actividade de uma enzima conhecida por proteger o coração de possíveis danos.

 

Depois de identificar a composição química do plasma sanguíneo daqueles répteis, os investigadores injectaram plasma em pitões em jejum (apenas plasma ou uma mistura de ácidos gordos desenvolvida para imitar o plasma). Em ambos os casos, as pitões revelaram indicadores de saúde cardíaca. A equipa avançou mais um passo na investigação ao injectar o plasma, ou a mistura que o imita, em ratinhos, obtendo os mesmos resultados.

 

“Observámos que a combinação de ácidos gordos pode beneficiar o crescimento do coração”, afirma Cecilia Riquelme, autora principal do artigo, acrescentando que “estamos agora a tentar compreender os mecanismos moleculares subjacentes ao processo, com a esperança de que os resultados nos conduzam a novas terapêuticas para melhorar as condições da doença cardíaca no homem”.

 

Os três principais ácidos gordos encontrados no plasma das pitões são o ácido mirístico, o ácido palmítico e o ácido palmitoleico. A enzima que mostrou uma maior actividade nos corações das serpentes durante a alimentação, conhecida como superóxido dismutase, tem propriedades cardio-protectoras em muitos organismos, incluindo nos seres humanos.

 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que os corações das pitões da Birmânia podem crescer, em massa, até 40% entre as 24 e as 72 horas após uma refeição abundante e que o metabolismo, imediatamente após a ingestão da presa, pode disparar até 40 vezes.

 

Existem diferentes tipos de aumento do coração, uns bons outros maus, explica Leinwand, especialista em doenças genéticas do coração, incluindo a miocardiopatia hipertrófica – a principal causa de morte súbita em atletas jovens. Enquanto as doenças cardíacas podem provocar o espessamento do músculo cardíaco, reduzindo assim o tamanho das cavidades do coração e dificultando o bombeamento do sangue, por outro lado, o aumento do coração devido ao exercício físico é benéfico.

 

A equipa de investigação utilizou uma técnica, conhecida por cromatografia gasosa, para analisar o plasma das pitões, em jejum e após a refeição, identificando uma composição muito complexa de ácidos gordos circulantes, com padrões distintos de abundância ao longo do processo digestivo.

 

Nas experiências com ratinhos, os animais foram ligados a “mini-bombas” que administravam doses baixas da mistura de ácidos gordos ao longo de uma semana. Verificou-se que não só os corações dos animais revelaram um crescimento significativo na maior parte do músculo que bombeia o sangue, como também não se registou aumento da fibrose do coração. “É notável que os ácidos gordos identificados no plasma das pitões possam estimular o crescimento saudável do coração dos ratos”, sublinhou.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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