Placenta arbitra luta por nutrientes entre grávida e feto

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

15 setembro 2016
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Investigadores do Reino Unido demonstraram, pela primeira vez, como a placenta arbitra a luta por nutrientes entre uma mulher grávida e o feto. O estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences” sugere que a placenta irá ajustar a quantidade de nutrientes transportados para o feto crescer de acordo com a capacidade física da mãe de os fornecer.
 

Os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, foram capazes de demonstrar que em vez de agir como uma interface passiva que permite a transferência de nutrientes da mãe para o feto, a placenta desempenha um papel decisivo.
 

Amanda Sferruzzi-Perri, um das autoras do estudo, refere que ao longo da gravidez há uma espécie de guerra entre a mãe e o feto relativamente aos alimentos ingeridos pela mãe. Se os nutrientes não puderem ser divididos corretamente durante a gravidez, podem surgir complicações que colocam a vida da mulher em perigo, bem como ter consequências a longo prazo tanto para a mãe como para o bebé. Os danos na placenta podem conduzir a um peso anormal à nascença, parto prematuro, pré-eclampsia e diabetes maternal.
 

Para o estudo, os investigadores utilizaram um modelo onde uma enzima denominada p110 alfa foi geneticamente modificada nos ratinhos. Numa mãe saudável, esta enzima é ativada por hormonas como a insulina e fatores de crescimento da insulina, começando uma corrida entre as células que estimula a absorção de nutrientes e, consequentemente, um crescimento e uma função metabólica normais. Ao alterarem esta enzima, a equipa reduziu a capacidade de resposta global a estas hormonas, criando um ambiente desfavorável.
 

O estudo apurou que nas mães em que a p110 alfa se encontrava alterada, o crescimento e a estrutura da placenta ficavam afetados. Para além de ser fisicamente diferente, a placenta transportava também menos nutrientes para o feto. Apesar de a placenta ficar afetada no caso da p110 alfa estar alterada apenas no feto, era capaz de compensar este problema transportando mais nutrientes para o feto e otimizando assim a nutrição.
 

Estes achados demonstram que a placenta irá ajustar a distribuição de nutrientes entre a mãe e o feto, em resposta às circunstâncias em que se encontra. Os resultados também indicam que, uma vez que a mãe necessita de ser capaz de sustentar o bebé durante a gravidez e após o nascimento, a placenta irá tentar julgar, da melhor forma, a quantidade de nutrientes que o feto recebe de forma a não comprometer a saúde da mãe.
 

A investigadora explica que a placenta está constantemente a receber sinais da mãe e do feto. Se a mãe tiver algum problema de crescimento, a placenta irá limitar a quantidade de nutrientes alocados ao feto, de forma a preservar a saúde da mãe.
 

De acordo com Amanda Sferruzzi-Perri, estes resultados sugerem que o ambiente materno é uma característica muito forte e modificável para a qual deve ser prestada mais atenção, de forma a averiguar se existem fatores específicos que podem ser alterados para melhorar a gravidez.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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