Pílula pode falhar mais em mulheres obesas

Alterações no metabolismo serão responsáveis pela redução da eficácia

23 fevereiro 2005
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Mulheres que estão acima do peso ou são obesas têm mais probabilidades de engravidar por causa de falhas da pílula anticoncepcional.
 

 

De acordo com um estudo norte-americano, as mulheres acima do peso têm mais 60 por cento de probabilidades de engravidar tomando a pílula do que as que estão perto do peso ideal. Para as obesas, no entanto, a probabilidade aumenta ainda mais: ou seja, é 70 por cento maior.
 

 

Os investigadores compararam o peso e o índice de massa corporal de 248 mulheres que engravidaram durante o uso da pílula e de um grupo de 533 mulheres da mesma idade que tomavam o contraceptivo, mas que não engravidaram.
 

 

O estudo referiu que para cada cem mulheres que tomam a pílula, entre duas a quatro podem engravidar por causa do excesso de peso.
 

 

Segundo os laboratórios que comercializam a pílula, este meio contraceptivo funciona em 99 por cento dos casos, no entanto, por diferentes razões – que podem passar inclusive pelo uso incorrecto do produto – as taxas reais de falha chegam aos seis por cento. Agora, entre os motivos para as falhas, dizem os especialistas americanos, pode-se somar o excesso de peso.
 

 

Os cientistas afirmaram que este estudo não se concentrou nas razões desta ligação. Mas sugerem que as alterações no metabolismo ligadas ao excesso de peso são responsáveis pela redução da eficácia do medicamento. Outra justificação seria que o nível de hormonas presentes na pílula não seria suficientemente alto para as mulheres obesas.
 

 

Os investigadores ainda têm uma outra alternativa: os ingredientes activos em contraceptivos orais _ estrogénio e progesterona _ são armazenados na gordura corporal. Então, estes ingredientes poderiam ficar presos na gordura ao invés de circular na corrente sanguínea.
 

 

A médica Victoria Holt, que liderou o estudo, sugeriu às mulheres que não querem engravidar e estejam acima do peso ou obesas para que considerem uma forma de contracepção permanente, como esterilização, ou usar preservativos como complemento ao uso da pílula. Para a especialista, aumentar a dosagem hormonal da pílula não é aconselhável.
 

 

Isto porque, explicou a médica à BBC, as mulheres que têm excesso de peso ou obesidade já correm um risco mais elevado de desenvolverem doenças cardiovasculares e as hormonas contraceptivas aumentariam ainda mais este risco. O estudo foi feito por uma equipa do Centro de Pesquisa do Cancro Fred Hutchinson, em Seattle, EUA.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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