Pílula contracetiva masculina mais próxima de se tornar realidade

Estudo publicado no jornal “Cell”

21 agosto 2012
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Uma equipa de cientistas descobriu uma molécula que consegue inibir a produção de espermatozoides que poderá conduzir o desenvolvimento de um contracetivo oral masculino numa nova direção.

 

A descoberta de uma pequena molécula denominada JQ1 é relevante já que a mesma atrofia a produção de esperma, sem no entanto afetar a atividade sexual, nem a fertilidade após cessação do tratamento com a mesma.

 

Martin M. Matzuk do Baylor College of Medicine em Houston, e James E. Brasdner do Dana-Farber Cancer Institute e da Harvard Medical School, em Boston, EUA, líderes do estudo que levou à descoberta da JQ1, testaram com êxito a molécula em ratos machos durante um período de 18 meses. Os ratos continuavam a reprodução como normalmente, mas encontravam-se estéreis: o número e motilidade do esperma dos mesmos não atingiam níveis suficientes para a fertilização de mamíferos, incluindo seres humanos.

 

Após o tratamento, a fertilidade das cobaias tinha regressado ao normal, sem se registar efeitos secundários sobre os níveis de testosterona dos ratos. “Descobrimos que a molécula JQ1 causa um efeito contracetivo em seres do sexo masculino”, confirmou Martin M. Matzuk. “Existe uma reversibilidade total ao deixar de consumir a substância”, continua.

 

Segundo o relatório do estudo, a molécula JQ1 consegue, ao contrário dos tratamentos já existentes, chegar fisicamente até às células produtoras de esperma e inibir a BRDT, uma proteína da família dos bromodomínios, que é essencial no processo de produção de esperma nos testículos. Este processo resulta em menos esperma de qualidade muito inferior.

 

Três fatores fazem com que esta nova descoberta possa conduzir a pesquisa mais aprofundada no âmbito da contraceção masculina: o pequeno tamanho da molécula JQ1 possibilita a sua disponibilização sob aforma de pílula, semelhante à contracetiva feminina; é uma opção mais económica do que a utilização de proteínas que são de difícil ingestão oral; e o facto de esta penetrar na barreira que impede o esperma de entrar na corrente sanguínea, e assim chegar diretamente até às células produtoras de esperma.

 

Apesar desta descoberta, serão necessários mais estudos, segundo as palavras de Martin M. Matzuk: “A JQ1 não é uma pílula adequada para homens porque também inibe outros constituintes da família dos bromodomínios”, afirma. “No entanto, a informação comprova que a BRDT constitui um alvo excelente relativamente à contraceção masculina e fornece-nos excelente informação para o desenvolvimento de futuros fármacos”, conclui.

 

Apesar de considerar a nova descoberta “empolgante”, Diana Blithe, diretora do programa do desenvolvimento da contraceção do Institute of Child Health and Human Development, EUA, concorda que “vão ser precisos muitos anos até se conseguir um produto no mercado porque o nível de segurança para o desenvolvimento de um contracetivo é muito, muito alto. Dá-se o produto a indivíduos saudáveis durante um longo período de tempo (…) para que se obtenha um produto muito eficiente e que não cause efeitos secundários”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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