Pílula abortiva eficaz no tratamento da depressão psicótica

RU 486 pode controlar crises

08 outubro 2002
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Uma equipa de cientistas franceses descobriu uma nova utilização para a pílula abortiva RU 486 no ramo da psiquiatria.
 

 

Além das suas propriedades antiprogesterona, os cientistas da Universidade de Stanford, Califórnia, e o professor francês Etienne-Emile Baulieu explicam na revista «Biological Psychiatry» que a RU 486 também produz um efeito anticortisona.
 

 

Esta propriedade permitiria evitar que os doentes psicóticos tenham «surtos», ou crises, mesmo quando já foram tratados com antidepressivos.
 

 

O papel da cortisona durante as depressões é estudado há cerca de 20 anos, mas apesar das equipes francesas e norte-americanas insistirem neste aspecto pouco conhecido da patologia cerebral, até agora nenhum estudo permitiu chegar a conclusões terapêuticas.
 

 

Segundo o cientista, «um tratamento adicional com RU 486 durante uma semana basta para afastar o perigo, e o doente volta logo ao estado anterior controlado pelos medicamentos habituais».
 

 

As observações, ainda preliminares, baseiam-se na avaliação de um grupo de 30 pacientes, formado por homens e mulheres entre 25 e 74 anos, com uma dose de RU 486 superior ou igual à utilizada para interromper a gravidez.
 

 

«Apesar disso, estes resultados não devem ser extrapolados no tratamento das depressões de reacção nem nas depressões comuns observadas na doença maníaco-depressiva», advertiu Baulieu. «Mas demonstram, em compensação, que a RU 486 pode salvar vidas, que constitui um avanço terapêutico e que o papel dos corticóides no funcionamento cerebral deve ser estudado mais profundamente», acrescentou o especialista.
 

 

O cientista explicou que também foram estudadas todas as actividades antiprogesterona da RU 486, nomeadamente a acção de facilitar os partos difíceis e os tratamentos de fibromas, em parte devido à controvérsia provocada pelo medicamento, o qual não é bem visto pelos movimentos que lutam contra a liberdade de abortar.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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