Picos de testosterona em atividades não competitivas em estudo

Estudo publicado na “Evolution and Human Behaviour”

03 setembro 2013
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Um estudo antropológico a agricultores/coletores bolivianos demonstrou que o ato de cortar uma árvore provoca aumentos de testosterona superiores a uma atividade diretamente competitiva como o futebol. 
 
Conduzido por Ben Trumble e Michael Gurven da University of California Santa barbara, EUA, o estudo debruçou-se sobre os picos de testosterona de curto termo de homens do povo Tsimane, que vivem isolados na Bolívia central. As atividades físicas quotidianas destes homens foram estudadas, fornecendo dados valiosos sobre a forma como a industrialização e as comodidades modernas afetam a nossa saúde e bem-estar. O povo Tsimane vive num ambiente semelhante ao que os humanos estiveram expostos durante a sua evolução, sendo que o nosso organismo estará calibrado para este tipo de ambiente. 
 
Segundo os investigadores, os níveis de testosterona estão intimamente relacionados com a disponibilidade de energia alimentar. Se um homem jovem falhar uma refeição, os seus níveis de testosterona podem baixar 10% e se fizerem jejum durante dois dias poderão descer a níveis mínimos. O mesmo sucede com infeções, ou mesmo ferimentos ou queimaduras, que causam decréscimos imediatos na testosterona. 
 
O organismo emprega a energia dos alimentos em muitos processos cruciais, como a formação de músculo e a manutenção de um sistema imunitário eficiente. Se houver um limite na energia alimentar, o organismo tem que optar. No entanto, nos países industrializados, esta opção não sucederá, já que é pouco provável que nos precisemos de preocupar com falhas de energia alimentar. 
 
No entanto, para o povo Tsimane, a história é diferente, sendo estes homens fisicamente mais ativos que os norte-americanos, e tendo que empregar muito mais energia alimentar a cultivar, caçar e pescar a maioria das calorias que consomem. Nestes casos já se verificarão opções, acrescendo o facto de estes homens estarem expostos a muito mais patogéneos que os ocidentais, com a consequente necessidade de calorias adicionais para o combate dos mesmos.  
 
Uma análise de amostras de saliva recolhidas dos homens Tsimane, uma hora antes e depois de cortarem árvores, revelou um aumento de testosterona na ordem dos 46,8%. Com a prática de futebol, esse aumento não ultrapassou os 30,1%. O enorme pico de testosterona faz aumentar a possibilidade de os músculos absorverem açúcar do sangue, o que por seu turno faz aumentar o desempenho físico e os tempos de reação. Isso permite aos homens Tsimane cortarem mais árvores, por exemplo.
 
Nos homens Tsimane os níveis de testosterona de base são relativamente baixos e mantêm-se assim durante a vida fora. Nos homens norte-americanos, que têm uma vida menos exigente em termos físicos, estes níveis são 33% mais altos, decrescendo, todavia com o passar dos anos.
 
Com este estudo compreendemos que no decorrer da evolução humana tivemos estratégias muito físicas para a produção de calorias. Torna-se importante perceber o lugar da testosterona neste contexto. Precisávamos de manter a testosterona para preservarmos a massa muscular e para obtermos picos de testosterona sempre que necessário.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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