Pessoas sem filhos apresentam menor longevidade

Estudo publicado no "Journal of Epidemiology and Community Health"

10 dezembro 2012
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Os casais submetidos a tratamentos de infertilidade e que não têm filhos apresentam índices de mortalidade significativamente superiores aos que decidiram adotar crianças, atesta um novo estudo conduzido por uma equipa de investigadores dinamarqueses.
 

O estudo revelou que os índices de mortalidade nos casais sem filhos eram duas a quatro vezes superiores aos dos que tinham adotado crianças, mesmo tendo em consideração fatores como a idade, nível académico, recursos financeiros e problemas de saúde. Os casais que tinham optado pela adoção, além de apresentarem uma maior longevidade, exibiam uma incidência de problemas psiquiátricos 50% menor que os casais sem filhos.
 

Segundo os autores do estudo, “os homens e particularmente as mulheres que se tornam pais e mães apresentam níveis inferiores de mortalidade”. “Conscientes que esta associação não significa (o mesmo que) causalidade, os nossos resultados sugerem que os índices de mortalidade são mais elevados nas pessoas sem filhos”.
 

A equipa baseou a sua investigação em 21000 casais dinamarqueses que tinham sido submetidos a procedimentos de reprodução assistida, tal como fertilização in vitro (FIV). Foi determinado que mais de 15000 crianças tinham nascido entre 1994 e 2005 e 1600 casais tinham adotado crianças.
 

Durante aquele período de tempo registaram-se as mortes de 200 homens e de 100 mulheres. Mais de 700 mulheres e cerca de 550 homens foram diagnosticados com doenças mentais. Ainda segundo o estudo, a percentagem de morte prematura por cancro, doenças circulatórias e por acidentes era quatro vezes superior em mulheres sem filhos comparativamente às que tinham dado à luz. Os índices de mortalidade eram duas vezes maiores nos homens sem filhos, em relação aos que eram pais biológicos.
 

Embora os índices de doenças mentais fossem semelhantes entre pais biológicos e pessoas sem filhos, esse índice era inferior em metade nos casais que tinham adotado crianças. Este facto sugere que o abuso de drogas é mais elevado entre as pessoas que não têm filhos.
 

Os autores do estudo afirmaram que o efeito benéfico sobre a esperança de vida advindo da parentalidade também se verifica nos pais adotivos.
 

Estudos anteriores demonstraram que os comportamentos pouco saudáveis e problemas de saúde são os causadores da redução da esperança de vida entre as pessoas sem filhos, apontaram os investigadores. Os autores do estudo chamaram a atenção para o facto de este estudo apresentar algumas limitações e que as descobertas poderão não se verificar em pessoas que não tiveram filhos de forma não voluntária.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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