Pessoas acreditam ter abraçado bugs bunny ou terem sido abduzidas por ETs

É fácil induzir falsas lembranças, dizem os cientistas

18 fevereiro 2003
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Há quem acredite ter cometido um crime, mas nem sequer conhecia as vítimas, outros estão convencidos que viram e até tocaram em extraterrestres... Segundo um estudo recente, é muito fácil induzir lembranças falsas na memória de algumas pessoas.
 

 

Mais de um terço das pessoas que participaram num estudo sobre memória lembrou-se de um dia maravilhoso que passaram na Disneylandia na companhia do Bugs Bunny, um personagem dos desenhos animados. Só que esta seria uma vivência impossível, dado que o Bugs Bunny não é um personagem da Disney, mas sim da Warner Bros. Acontece que os participantes foram simplesmente induzidos pelos investigadores que através de métodos de indução «plantaram» esta falsa lembrança.
 

 

Outro estudo, com pessoas que acreditam ter sido «abduzidas» – sequestradas por extraterrestres – mostra que mesmo estas falsas recordações podem ser vividas tão intensamente quanto as vítimas de guerras e outras violências.
 

 

A investigação mostra e alerta todos os interrogadores policiais e outras pessoas que investigam alegações de abuso sexual devem tomar cuidado para não «plantar» sugestões nas pessoas, disse a psicóloga norte-americana Elizabeth Loftus, da Universidade da Califórnia.
 

 

A especialista apresentou, este fim-de-semana, os resultados preliminares de recentes experiências sobre lembranças falsas, na conferência da Associação Norte-Americana para o Avanço da Ciência.
 

 

Algumas pessoas podem ser tão sugestionadas que conseguiriam ser convencidas de que foram responsáveis por crimes que não cometeram, acrescenta Loftus. «Em entrevistas, muito do que ocorre – inconscientemente – é contaminação», explicou.
 

 

O poder de sugestão dos meios de comunicação pode também deixar uma falsa impressão, disse a psicóloga. «Durante os ataques do franco-atirador de Washington, todo a gente relatou ter visto uma carrinha van branca», disse. «De onde veio isso?», questiona a responsável.
 

 

Uma chave, segundo investigadores, é adicionar elementos de toque, gosto, som e cheiro à história. No estudo em que foi usado o Bugs Bunny, Loftus conversou com um grupo de pessoas sobre a sua infância e perguntou-lhes não só se eles viram alguém mascarado como o coelho travesso dos desenhos animados, mas também se foram abraçados por ele.
 

 

Em entrevistas subsequentes, 36 por cento das pessoas lembraram-se do coelho. «São detalhes sensoriais que as pessoas usam para distinguir as suas memórias», disse a psicóloga, que realizou estudos deste tipo com mais de 20 mil pessoas ao longo de 25 anos.
 

 

Outra estudo apresentado por um psicólogo da Universidade de Harvard, Richard McNally, analisou 10 pessoas que afirmam ter sido abduzidas, examinadas fisicamente e molestadas sexualmente por seres de outros planetas. Os investigadores gravaram as conversas sobre as lembranças.
 

 

Quando as fitas foram apresentadas, em sessões posteriores, os corações dos supostos abduzidos bateram mais depressa. McNally afirmou que três dos 10 voluntários analisados apresentaram reacções físicas «pelo menos tão intensas» quanto as de pessoas que sofrem de stress pós-traumático, em consequência de guerras, crimes com armas de fogo, violações e outros incidentes violentos. «Isso sublinha o poder da crença emocional», concluiu McNally.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

Texto original
 

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