Pesquisa de novos antibióticos mergulha nas profundezas do mar

Projeto PharmaSea arranca já este ano

21 fevereiro 2013
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À medida que os antibióticos vão perdendo terreno face à emergência de bactérias cada vez mais resistentes a esse tipo de medicamentos, os médicos temem que no futuro os mesmos se revelem inúteis no tratamento de pacientes gravemente doentes.
 

A investigação de novos fármacos, mais poderosos, tem levado os cientistas aos lugares mais recônditos e inóspitos do planeta. Desde 1929, ano da descoberta da penicilina por Alexander Flemming, os antibióticos já salvaram a vida a milhões de pessoas. No entanto, não se regista nenhum antibiótico totalmente novo desde 2003.
 

Segundo Marcel Jaspars, docente de química na University of Aberdeen, Escócia, se não se fizer nada para contrariar esta diminuição de antibióticos novos e eficientes, deparar-nos-emos com “uma retoma da ‘era do pré-antibiótico’ em cerca de 10 a 20 anos, em que as bactérias e infeções que são atualmente fáceis de curar poderão tornar-se fatais”.
 

Muitos especialistas consideram que a presente crise global com os antibióticos deve-se ao facto de se ter usado e abusado deste tipo de tratamento, o que conduziu ao rápido aumento de bactérias causadoras de doenças que são resistentes a fármacos.
 

Foi neste sentido que surgiu o projeto PharmaSea, que tem como objetivo mergulhar nas profundezas oceânicas até 8.000 metros abaixo do nível do mar para recolher amostras do fundo do mar nunca antes explorado nos Oceanos Ártico e Antártico. O projeto é financiado em 9,2 milhões euros pelo fundo europeu e reúne 24 parceiros na Bélgica, Grã-Bretanha, Chile, China, Costa Rica, Dinamarca, Alemanha, Irlanda, Itália, Nova Zelândia, Noruega, África do Sul, Espanha e Suíça.
 

Os cientistas que participam neste projeto, que são oriundos de várias partes do globo, irão proceder à recolha e rastreio de amostras de lama e sedimentos das fossas oceânicas do alto mar, à procura de bactérias desconhecidas para a produção de novos antibióticos. A recolha de amostras nos Oceanos Ártico e Antártico constitui praticamente uma novidade, já que poucas ou nenhumas amostras dessas regiões foram recolhidas.
 

A equipa está confiante que irá encontrar pistas inovadoras para a descoberta de fármacos novos nos organismos marinhos, já que estes vivem a uma enorme profundidade e em condições das mais extremas do planeta. Marcel Jaspars alega que o facto de as fossas oceânicas que constituem o habitat desses organismos serem tão profundas e sem contacto umas com as outras, faz com que as mesmas “representem ilhas de diversidade”.
 

As amostras recolhidas serão cultivadas em meio de cultura para posterior identificação de bactérias e fungos que possam ser utilizados na produção de novos fármacos eficazes contra estes microrganismos.
 

Se tudo correr como planeado, a equipa espera descobrir novos fármacos e tê-los disponíveis no mercado daqui a dez anos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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