Peso na adolescência associado a risco de insuficiência cardíaca na meia-idade

Estudo publicado na revista “European Heart Journal”

21 junho 2016
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Os indivíduos que na adolescência têm excesso de peso têm maior probabilidade de desenvolver insuficiência cardíaca na meia-idade, sugere um estudo publicado no “European Heart Journal”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, apurou que havia um risco aumentado de insuficiência cardíaca nos homens que se encontravam no escalão normal de peso, com um índice de massa corporal (IMC) entre 18,5 e 25 na adolescência. Este risco aumentado começava naqueles que tinham um IMC de 20 e aumentava abruptamente (quase dez vezes mais) naqueles que eram muito obesos, com IMC superior a 35.
 
Os investigadores apuraram que nos homens com um IMC de 20 ou mais, o risco de insuficiência cardíaca aumentava 16% por cada unidade de IMC. Estes resultados mantiveram-se inalterados após os investigadores terem tido em conta fatores como idade, doenças, escolaridade dos pais, pressão arterial, quociente de inteligência, força muscular, etc.
 
Annika Rosengren, a líder da investigação, refere que, embora a maioria dos estudos considere que um IMC entre 18,5 e 25 é um peso normal, esta não é provavelmente uma definição adequada para os jovens, a maioria dos quais são naturalmente magros.
 
”Esta pode ser a razão pela qual se tem observado um aumento do risco de insuficiência cardíaca a partir de um nível bastante baixo de IMC. No entanto, foi surpreendente ver o aumento tão acentuado do risco com o aumento do peso corporal acima de um IMC de 20”, referiu a investigadora.
 
“Tendo em conta a tendência global para um número crescente de adolescentes com excesso de peso e obesidade, os nossos resultados sugerem que a insuficiência cardíaca, (…) pode muito bem tornar-se numa grande ameaça para a saúde em todo o mundo. Isto serve para chamar mais uma vez a atenção para a necessidade urgente de uma ação mundial para travar a epidemia da obesidade”, refere a investigadora.
 
Segundo Annika Rosengren, esta ação necessita de ser tomada quer por governos quer por indivíduos, através da criação de um ambiente que não promova o excesso de peso e obesidade, e que encoraje as pessoas a não serem sedentárias e a não comer mais do que necessitam. 
 
Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 1.610.437 homens que foram acompanhados entre cinco a 42 anos. Ao longo do período de acompanhamento verificou-se que 5.492 foram admitidos no hospital por insuficiência cardíaca, sendo a idade média de diagnóstico 47 anos.
 
Comparativamente com os homens que tinham um IMC entre 18,5 e 20, aqueles que tinham um IMC entre 20 e 22,5 apresentavam um risco 22% maior de insuficiência cardíaca. O risco quase duplicou para aqueles com um IMC entre 22,5 e 25, e mais do que triplicou para os homens com um IMC entre 25 e 27,5. O risco aumentou mais de seis vezes para aqueles classificados como obesos (ou seja, com IMC entre 30 e 35) e foi quase dez vezes maior para os muito obesos, com um IMC superior a 35.
 
Com base nestes resultados, os investigadores sugerem que as ações preventivas devem ser antecipadas. Na verdade, as recomendações atuais são destinadas a orientar os médicos que tratam pacientes com fatores que os colocam em maior risco de sofrerem de problemas cardíacos e dos vasos sanguíneos dentro da próxima década. 
 
A esmagadora maioria dos jovens têm um risco extremamente baixo de qualquer um destes problemas e por isso não há necessidade de medidas preventivas, à exceção do aconselhamento antitabágico. “No entanto, os resultados demostram a importância do peso corporal na adolescência e sugerem que deve ser dada mais ênfase à manutenção de um peso corporal saudável desde cedo, como medida preventiva”, concluiu a investigadora.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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