Peso e alimentação podem afetar resposta a tratamento de doença bipolar

Estudo apresentado na conferência do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia

11 outubro 2018
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A resposta dos pacientes ao tratamento para a doença bipolar poderá ser influenciada pelo peso e qualidade da alimentação dos mesmos, indicou um novo estudo.
 
Conduzido por uma equipa internacional de investigadores liderados por Melanie Ashton da Universidade de Deakin, na Austrália, o estudo demonstrou que os pacientes com um índice de massa corporal (IMC) baixo e uma alimentação anti-inflamatória poderão dar uma melhor resposta ao tratamento para a doença.
 
A doença bipolar é caracterizada por episódios de alteração extrema de humor, oscilando entre fases em que o paciente se sente muito em baixo ou muito em cima. Devido ao facto de a doença contemplar dois tipos de sintomas, torna-se difícil encontrar um tratamento eficaz para a mesma.
 
Atualmente, os tratamentos farmacológicos são mais eficazes sobre os períodos em que o paciente se sente eufórico, havendo poucos tratamentos eficazes para os episódios depressivos.
 
Os investigadores recrutaram para o estudo 133 participantes que foram aleatoriamente divididos em grupos. Os participantes receberam uma combinação de nutracêuticos (compostos que integram suplementos alimentares e fármacos) que incluíam o aminoácido anti-inflamatório n-acetilcisteína (NAC), NAC apenas ou um placebo, durante 16 semanas. Além da medicação do estudo, os participantes continuaram a tomar a sua medicação habitual.
 
No início do estudo, a equipa mediu o IMC dos participantes, o seu nível de depressão e a capacidade de funcionarem no dia-a-dia. Os participantes foram ainda avaliados relativamente a melhorias quantificando-as caso se observassem, no decorrer das 20 semanas seguintes. 
 
Os participantes foram ainda questionados sobre a sua alimentação, incluindo o consumo de fruta e produtos hortícolas, gorduras saturadas, hidratos de carbono refinados e álcool. As alimentações dos mesmos foram categorizadas posteriormente como anti-inflamatórias ou pró-inflamatórias. 
 
Foi observado que os pacientes com as dietas com maior potencial anti-inflamatório ou um IMC mais baixo davam uma melhor resposta ao tratamento com os nutracêuticos do que os participantes que tinham relatado seguir uma dieta promotora de inflamação ou que apresentavam excesso de peso.  
 
Melanie Ashton fez questão de realçar que este foi um ensaio randomizado e os resultados foram exploratórios, ou seja, não foram o resultado principal o que a equipa estava a testar. Apesar dos resultados estatisticamente significativos, o estudo não tinha sido pensado para testar o efeito da qualidade da alimentação e IMC sobre a resposta aos fármacos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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