Pés albergam cerca de 200 espécies diferentes de fungos

Estudo publicado na “Nature”

27 maio 2013
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Os pés albergam perto de 200 espécies diferentes ede fungos, mais do que em qualquer outra parte do organismo, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

A superfície da pele dos humanos é um complexo ecossistema para os microrganismos, incluindo fungos, bactérias e vírus, os quais, coletivamente, formam o microbioma da pele. Apesar das infeções fúngicas afetarem muitos indivíduos, o crescimento dos fungos em laboratório pode ser moroso e difícil, dificultando desta forma o diagnóstico e tratamento, inclusive das infeções mais comuns, como é o caso das infeções das unhas dos pés.
 

Neste estudo, os investigadores do National Human Genome Research Institute (NHGRI) e do National Cancer Institute (NCI), nos EUA, utilizaram técnicas de sequenciação otimizadas para a identificação dos fungos, tendo para tal recolhido amostras de 14 zonas do corpo de 10 adultos saudáveis. A sequenciação do ADN dos fungos identificou fragmentos de ADN, conhecidos por marcadores filogenéticos, que podem ser utilizados para diferenciar um tipo de fungos do outro.
 

Nas 14 zonas do corpo foram identificados fungos pertencentes a dois filos, Ascomycetes e Basidiomycetes. O género mais comum o Malassezia estava presente em 11 das 14 zonas corporais, incluindo na pele na parte de trás da cabeça, atrás das orelhas, nas narinas e calcanhares. Foi também verificado que os calcanhares albergavam muito outros fungos, incluindo o Aspergillus, Cryptococcus, Rhodotorula, e Epicoccum.
 

Na verdade os investigadores verificaram que os calcanhares albergavam 80 géneros de fungos, as unhas 60 e pele entre os dedos 40. Os locais onde foi encontrada uma diversidade moderada de fungos foram a curvatura do braço, interior do antebraço e palma da mão, os quais tinham entre 18 a 32 géneros de fungos. Surpreendentemente, a cabeça e tronco têm apenas 2 a 10 géneros de fungos, cada um.
 

Os investigadores já tinham anteriormente constatado que a diversidade bacteriana se pode prever consoante a pele está húmida, seca ou oleosa. No entanto, a diversidade dos fungos parece depender do local específico do corpo.
 

O estudo ainda apurou que há uma grande similaridade na estrutura da comunidade de fungos no lado esquerdo e direito do corpo da mesma pessoa e que as comunidades fúngicas parecem ser estáveis ao longo do tempo.
 

A coautora do estudo, Julie Segre, conclui que de facto os pés albergam uma levada diversidade fungos, “assim deverá manter os seus chinelos guardados se não quer misturar os seus fungos dos pés com os de outra pessoa”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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