Perturbações mentais atingem um terço da população

Casos aumentaram com crise económica

28 novembro 2016
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A crise económica fez aumentar os problemas de saúde mental em Portugal, atingindo quase um terço da população em 2015, a par de um aumento do consumo de antidepressivos e ansiolíticos, revela um estudo nacional.
 
Estes são resultados preliminares do projeto “Crisis Impact”, que estuda os efeitos da crise económica sobre a saúde mental das populações em Portugal.
 
Segundo a notícia avançado pela agência Lusa, o estudo, da autoria de José Caldas de Almeida, presidente do Lisbon Institute of Global Mental Health, baseia-se numa atualização do estudo nacional de saúde mental de 2008-2009, permitindo comparar os dados do início da crise com os do final de 2015.
 
O estudo concluiu que existe um aumento significativo da prevalência de problemas de saúde mental durante este período, dando conta de uma relação estreita com os fatores sociais e económicos resultantes da crise.
 
Segundo os dados preliminares, os problemas de saúde mental passaram de 19,8% em 2008, para 31,2% em 2015, um aumento que se verificou em todos os níveis de gravidade, mas sobretudo nos casos de maior gravidade. 
 
A prevalência de problemas de saúde mental em 2015 foi mais elevada entre as mulheres, os idosos, os viúvos e separados e as pessoas com baixa escolaridade. Relativamente à relação destes problemas com a crise económica, nomeadamente a diminuição de rendimentos, o desemprego, a privação financeira e a descida de estatuto socioeconómico, verificou-se que estes estão significativamente associados, revelando igualmente elevados padrões de perturbações depressivas e de ansiedade.
 
Mais de 40% das pessoas teve uma descida de rendimentos desde 2008, cerca de metade devido a cortes de salários e pensões, 14% por desemprego, 6% por mudança de emprego e 5% por reforma. 
 
Os que referem não ter rendimentos suficientes para pagar as suas despesas são quase 40% da amostra e apresentam uma prevalência significativamente mais elevada de problemas de saúde mental do que as que não sentem privação financeira.
 
No que respeita ao uso de medicamentos também se verificou uma subida progressiva das percentagens de pessoas que usam psicofármacos, sobretudo antidepressivos e ansiolíticos.
 
A utilização destes medicamentos é muito mais elevada entre as mulheres, mas verificou-se um aumento particularmente elevado no consumo, especialmente, de ansiolíticos, por parte dos homens.
 
Relativamente aos tratamentos, nos últimos cinco anos, 27,9% das pessoas procuraram ajuda, sobretudo junto dos médicos de medicina geral, seguidos dos psiquiatras e psicólogos. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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