Perturbação do espetro autista: novo método de identificação aos 9 meses

Estudo publicado na revista “Autism”

21 abril 2014
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O perímetro cefálico e o reflexo da inclinação da cabeça podem ajudar na identificação de perturbações do espetro autista em crianças entre os nove e os dozes meses de idade, defende um estudo publicado na revista “Autism”.
 

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos EUA, é possível identificar perturbações do espetro autista aos dois anos de idade, contudo a maioria das crianças é apenas identificada aos quatro anos. Apesar de vários estudos já terem indicado que os pais destas crianças notam alguns problemas de desenvolvimento no primeiro ano de idade, ainda não existe uma ferramenta de rastreio capaz de identificar esta condição precocemente.
 

Apesar de o questionário M-CHAT ser a ferramenta de rastreio de referência, esta tem de ser lida e completada pelos pais e interpretada por um médico. De acordo com a líder do estudo, Carole A. Samango-Sprouse, “os médicos necessitam de uma ferramenta rápida e eficaz que possa ser aplicada a todas as crianças, independentemente dos seus antecedentes e que consiga identificar perturbações do espetro autista antes dos 12 meses”.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de George Washington, nos EUA, decidiram analisar se o perímetro cefálico e o reflexo da inclinação da cabeça poderiam ser utilizados como biomarcadores para perturbações do espetro autista. Cerca de 1.000 crianças foram sujeitas a este tipo de medições aos quatro, seis e nove meses de idade.
 

O estudo apurou que ao fim dos noves meses, as crianças com perímetro cefálico igual ou superior ao do percentil 75, com um perímetro cefálico 10% discrepante com a sua altura ou aqueles com resultados negativos no teste de reflexo da inclinação da cabeça foram considerados estar em risco de perturbação do espetro autista ou de terem um atraso no desenvolvimento da linguagem. Posteriormente estas crianças foram avaliadas por um especialista do neurodesenvolvimento e neurologista pediátrico.
 

Das 49 crianças que tinham apresentado resultados anormais, 15 foram identificadas com risco de perturbação do espetro autista e 34 com risco de atraso no desenvolvimento da linguagem. Das 15 crianças identificadas com risco de perturbação do espetro autista, entre os nove e os 12 meses de idade, o diagnóstico de 14 foi confirmado aos três anos de idade.
 

Os investigadores referem que vão continuar a analisar a eficácia destes dois potenciais biomarcadores, “pois tal como acontece com outros problemas de desenvolvimento, quando mais cedo forem identificadas as crianças em risco, mais cedo se pode intervir e fornecer o tratamento mais adequado”. 

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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