Perturbação de stress pós-traumático pode acelerar envelhecimento

Estudo publicado no “American Journal of Geriatric Psychiatry”

12 maio 2015
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As pessoas com perturbação de stress pós-traumático (PSPT) podem estar em risco de envelhecerem ou sofrerem de senilidade prematuramente, indica um estudo recente.
 
A preocupação em relação à PSTP tem aumentado nos últimos anos, principalmente em consequência de quem tem vivenciado os conflitos no Médio Oriente e noutros locais com problemas semelhantes. 
 
A PSTP está associada a vários problemas psicológicos que passam por insónia, depressão crónica, problemas alimentares, raiva e abuso de substâncias ilícitas.  
 
Segundo Dilip V. Jeste, docente de psiquiatria e de neurociências na Universidade da Califórnia San Diego, e autor principal da investigação, “este é primeiro estudo do seu género a associar uma doença psicológica, sem bases genéticas estabelecidas, que é causada por stress externo, traumático a efeitos sistémicos de longo-termo sobre um processo biológico como o envelhecimento”.
 
Não existe uma definição padrão para o envelhecimento prematuro ou acelerado. A equipa utilizou então fenómenos de envelhecimento prematuro associados a problemas não psiquiátricos como a síndrome de Hutchinson-Gilford, infeção VIH e síndrome de Down. A maioria dos factos encaixava-se em três categorias: indicadores biológicos ou biomarcadores, como o comprimento dos telómeros (sequências de nucleóticos protetores nas extremidades dos cromossomas) dos leucócitos (CTL), maior prevalência de problemas médicos associados à idade avançada e mortalidade prematura ou que tivessem surgido precocemente.
 
Os investigadores conseguiram identificar 64 estudos relevantes, dos quais 22 eram apropriados para calcular os efeitos gerais para os biomarcadores e 10 para a mortalidade. Seis estudos que estavam especificamente centrados no CTL indicavam que as pessoas com PSPT apresentavam telómeros mais curtos. Os telómeros são considerados um forte indicador do processo de envelhecimento celular, porque ficam mais curtos sempre que as células se replicam.
 
Foi também apurada uma evidência consistente relativa a uma associação entre a PSTP e a uma maior quantidade de marcadores pró-inflamatórios como a proteína C-reativa e o fator alfa de necrose tumoral (TNF-alfa). A maioria dos estudos demonstrou uma maior comorbilidade da PSTP com várias doenças específicas associadas ao envelhecimento normal, como doença cardiovascular, diabetes de tipo 2, úlcera gastrointestinal e demência. Sete dos dez estudos indicaram uma associação ligeira a moderada entre a PSTP e uma mortalidade precoce, que era consistente com uma aceleração do envelhecimento ou o seu desencadeamento precoce.
 
Face aos resultados, James Lohr, docente de psiquiatria e autor principal do estudo, considera que “estes achados não indicam se o envelhecimento acelerado é específico da PSPT, mas indicam a necessidade de voltar a concetualizar a PSPT como sendo mais que uma doença mental”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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