Perturbação de processamento auditivo afeta 5% das crianças portuguesas

Estudo da Universidade do Minho

04 junho 2015
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Cinco por cento das crianças portuguesas sofrem de perturbação de processamento auditivo (PPA), a qual tem consequências a vários níveis, incluindo no aproveitamento escolar, conclui um estudo da Universidade do Minho (UMinho).
 

O estudo, ao qual a agência Lusa teve acesso, apurou que 83% das crianças com baixo desempenho nos testes de PPA realizados durante a investigação tinham notas inferiores aos restantes colegas.
 

De acordo com autora do estudo, Cristiane Nunes, a PPA tem ainda consequências na socialização, na realização das tarefas do dia-a-dia, e, em alguns casos, na gaguez e na dislexia.
 

A autora do primeiro livro dedicado ao PPA em Portugal explica que esta condição traduz-se na incapacidade de interpretar sons, sendo, por isso, diferente de surdez.
 

“Enquanto uma pessoa surda nem sempre consegue detetar os sons, a que tem PPA apresenta dificuldade em interpretar o que ouviu e em perceber mudanças acústicas rápidas. Além disso, costuma demorar mais tempo para processar a informação que passa pelo nervo auditivo”, refere.
 

O livro, que tem por base o doutoramento realizado no Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC) da UMinho, começou pela elaboração de testes padronizados para a população portuguesa, que incluíram a participação de 60 crianças entre os 10 e os 13 anos.
 

Os resultados demonstraram que as crianças com problemas de audição apresentam mais dificuldades no desempenho escolar, na comunicação, na leitura, na escrita e na articulação.
 

“Algumas não conseguiram repetir, por exemplo, um conjunto de números depois de os ter ouvido ou distinguir entre sons curtos, longos, agudos e graves. Isso tem implicações na leitura, escrita, fala e na forma como a informação é interpretada”, disse Cristiane Nunes.
 

Os sintomas associados variam em função da idade e da intensidade da perturbação. Em crianças com menos de 5 anos, verifica-se um atraso na aquisição da fala e, especialmente, dos sons “r” e “l”, o que as leva, muitas vezes, a pronunciarem “plato” em vez de “prato”.
 

A partir dos 7 anos, recorrem a expressões como “hein?” e “quê?”, são mais distraídos e não percebem de imediato o que dizem o professor e os colegas em contexto de trabalho de grupo.
 

“Sem tratamento, o problema arrasta-se para a vida adulta, tendo repercussões no sucesso profissional, social e amoroso”, alerta a investigadora.
 

Os diagnósticos de PPA podem ser obtidos a partir dos 6 anos e quase a totalidade das crianças normaliza após a realização de exercícios e técnicas que estimulam a formação de novas conexões no nervo auditivo.
 

“O segredo está no tratamento precoce da perturbação”, diz a especialista, que no seu livro recomenda o envolvimento dos educadores no processo de deteção.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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