Personalidade e os efeitos na saúde

Estudo publicado na revista “Psychoneuroendocrinology”

15 dezembro 2014
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Investigadores americanos encontraram novas evidências que explicam como alguns aspetos da personalidade podem afetar a expressão de genes que controlam a atividade do sistema imunológico, afetando assim saúde e bem-estar, revela um estudo publicado na “Psychoneuroendocrinology”.
 

Os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, utilizaram uma tecnologia genética de ponta para analisar as relações entre cinco principais traços de personalidade e dois grupos de genes que estão ativos num tipo de células imunitárias, os leucócitos. Um dos grupos de genes está envolvido na inflamação e outro na resposta ao vírus e anticorpos.
 

O estudo incluiu 86 mulheres e 35 homens, com uma média de 24 anos e um índice de massa corporal de 23. Os participantes foram submetidos a testes de personalidade que mediam os níveis de extroversão, neuroticismo (tendência para emoções negativas), abertura, afabilidade e consciência. Foram também retiradas amostras de sangue para a realização de análises genéticas
 

O estudo não encontrou resultados que apoiam a teoria de que a tendência para emoções negativas, como a depressão ou ansiedade, pode conduzir a uma saúde mais débil. Contudo, foi verificado que a extroversão estava significativamente associada a um aumento da expressão de genes pro-inflamatórios e que a consciência estava associada à redução da expressão destes genes.
 

Estes resultados significam que os indivíduos que à partida estão mais expostos a infeções devido à sua natureza extrovertida tendem a ter um sistema imunitário que é capaz de combater mais eficazmente as infeções. Por outro lado, os indivíduos mais cautelosos e mais conscientes, que estão menos expostos a infeções, têm um sistema imunitário que não responde tão bem às infeções.
 

Os investigadores constataram que estas associações foram independentes da quantidade de emoções negativas que as pessoas sentiam. Verificou-se ainda que os indivíduos com personalidade mais aberta também tendiam a apresentar um menor expressão de genes pro-inflamatórios. O neuroticismo e a afabilidade não foram associados à expressão dos genes analisados.

 

Os investigadores referem estes resultados clarificam um pouco mais a associação epidemiológica entre a personalidade, a saúde e a longevidade humana. Contudo, há ainda uma pergunta que fica no ar: será que é a nossa biologia que afeta a nossa psicologia ou é a nossa psicologia que determina a nossa biologia?

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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