Peritos querem que preço das cesarianas diminua nos hospitais privados

Dados da Comissão Nacional para a Redução da Taxa de Cesarianas

22 janeiro 2015
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Um grupo de peritos recomenda que o preço das cesarianas nos privados diminua de modo a desincentivar esta prática, que caiu para os 28% no setor público, mas mantém-se acima dos 65% nos privados.
 

De acordo com dados apresentados pelo presidente da Comissão Nacional para a Redução da Taxa de Cesarianas, Diogo Ayres de Campos, entre 2009 e 2014 a taxa de cesarianas em Portugal baixou dos 36% para os 33%.
 

No entanto de acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, esta queda deve-se sobretudo aos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que reduziram esta prática de 33% para 28%, no mesmo período.
 

Relativamente aos privados, estes passaram dos 50% em 1999 para os 67,5% em 2010, tendo baixado para 66% em 2012, último ano em relação ao qual há números oficiais.
 

De acordo com Diogo Ayres de Campos, a partir desse ano estima-se que tenha havido apenas uma ligeira descida para os 65%, um valor que continua muito alto e que levou a comissão a decidir apresentar uma recomendação com medidas no sentido de reduzir esta prática nos privados, designadamente propor a diminuição do preço das cesarianas, equiparando-o ao dos partos normais.
 

O responsável referiu ainda que a comissão vai negociar com as seguradoras, com vista a que haja uma redução de comparticipação, tudo com o objetivo de tornar menos vantajosa financeiramente a prática de cesarianas pelos privados.
 

O secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, também focou este ponto, afirmando que os “seguros de saúde farão uma reflexão sobre os custos que estão dispostos a pagar”.
 

Vai ocorrer um reforço da informação à população, no sentido de alertar para os riscos das cesarianas: a hemorragia major é mais frequente, o risco de infeção é 11 vezes maior, a morte materna é cinco vezes maior, a morte fetal é 60% mais frequente, o risco de tromboembolismo também é aumentado, além dos riscos normais que qualquer cirurgia acarreta, designadamente de lesão de órgãos.
 

Para o recém-nascido, a cesariana também é menos segura, havendo um risco de complicações respiratórias sete vezes superior e um risco de asma e diabetes acrescido na adolescência.

 

“A cesariana não é mais segura, é muito menos segura. As cesarianas por razões clínicas salvam vidas, mas as cesarianas desnecessárias, feitas sem motivo nenhum, causam riscos desnecessários”, frisou.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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