Peritos avaliam resposta científica para a falta de órgãos

Actualmente, a falta de órgãos é uma situação de crise mundial

23 agosto 2002
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Os pacientes que em todo o mundo aguardam a possibilidade de aceder a um órgão para transplante somam hoje 200.000, constituindo um problema a que a ciência procura dar resposta.
 

 

Os mais recentes avanços científicos nesta área vão ser apresentados a partir de domingo e até à próxima sexta-feira durante o XIX Congresso Internacional da Sociedade de Transplantes, um fórum que reunirá mais de 3.000 cirurgiões, médicos e cientistas de 70 países em Hollywood (EUA).
 

 

Uma abordagem possível para suprimir esta carência das sociedades modernas é a criação de animais, nomeadamente porcos, como fonte inesgotável de órgãos transplantáveis no homem, via também conhecida por xenotransplante.
 

 

Um novo passo neste sentido foi recentemente anunciado por cientistas da PPL Therapeutics plc., a companhia escocesa que clonou a ovelha Dolly em 1997, ao confirmarem ter criado porcos, através de clonagem, sem as duas cópias do gene que leva o sistema imunitário humano a rejeitar transplantes de tecidos provenientes de suínos.
 

 

O problema da falta de órgãos configura actualmente uma situação de crise mundial, estando em total desequilíbrio os pratos da balança da oferta e da procura.
 

 

Faltam órgãos para responder às necessidades dos milhares de pacientes que esperam por um coração, fígado, rins, pâncreas e intestinos, tecidos e células, ossos e até mesmo mãos.
 

 

Todos os anos são realizados cerca de 65.000 transplantes, recorrendo os médicos, a maioria das vezes, a órgãos e tecidos removidos do cadáver de um doador que teve de expressar em vida a sua autorização para a recolha.
 

 

Mas o número de doadores de órgãos difere de país para país, com a Espanha a liderar a lista dos que mais regista.
 

 

Segundo números relativos ao ano 2001 do Transplant Procurement Management (TPM), um registo internacional da doação de órgãos e transplantes, Espanha apresentava uma taxa de 32,5 doadores por milhão de habitantes, seguida da Áustria (23 por milhão de habitantes), Bélgica (21,6), Estados Unidos (21,4) e Portugal (20,2).
 

 

Durante o mesmo ano, este valor foi de 12,8 na Alemanha, 13,5 no Canadá e 1,9 na Grécia.
 

 

Na América Latina, de acordo com o TPM, o Uruguai é o país onde se regista a mais alta taxa de doação de órgãos, 11,5 por milhão de habitantes.
 

 

No Brasil, onde se realizam 12 por cento dos transplantes de rins a nível mundial, a taxa de recolhas em cadáveres de doadores, em 2001, foi de 4,4 por milhão de habitantes.
 

 

O Brasil e muitos outros países tentam contornar o problema da falta de rins para transplante recorrendo aos de doadores vivos. O que é praticamente uma regra no Japão devido a questões culturais.
 

 

"Este congresso terá algum impacto na crise da falta de doadores, não apenas pela troca de ideias sobre a forma de melhorar a doação de órgãos, mas também para saber das últimas investigações em busca de novas fontes de órgãos, quer sejam animais ou artificias", disse Carl Groth, presidente da Sociedade de Transplantes e cirurgião no Instituto Karolinska de Estocolmo.
 

 

Alguns cientistas prevêem que o transplante de corações geneticamente modificados e de outros órgãos de porcos (ou outros animais) em pessoas será possível dentro de cinco a sete anos, mas admitem que continuam por resolver muitas questões científicas e iticas.
 

 

Neste encontro, mais de 1.600 apresentações sobre temas como a tolerância ao transplante, o transplante celular, a terapia genética, a transgénese (adicionar, inactivar ou substituir genes nos genomas dos seres vivos) e o xenotransplante serão apresentadas em sessões científicas.
 

 

Fonte: Lusa

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