Perigos do uso excessivo e inadequado dos antibióticos

Alerta de especialistas

18 setembro 2014
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O presidente do Grupo de Infeção e Sépsis, João Jaime, alertou para os perigos advindos do uso excessivo e inadequado dos antibióticos, que leva à diminuição da sua eficácia face ao desenvolvimento crescente de bactérias super-resistentes.
 
O especialista referiu que por esse motivo formou-se a Aliança Mundial Contra a Resistência Antibiótica (WAAAR da sigla em inglês) que tem como objetivo primordial a preservação do antibiótico. Esta Aliança produziu uma Declaração onde reconhece que a questão “há muito extravasou a esfera dos cuidados hospitalares e exige um esforço dirigido não só à comunidade médica e científica, mas também ao público em geral e aos legisladores”, apurou a agência Lusa.
 
Em Portugal, o documento foi subscrito pelo Grupo de Infeção e Sépsis, pela Sociedade Portuguesa de Doenças Infeciosas e Microbiologia Clínica, pela Aliança Portuguesa para a Preservação do Antibiótico e pela Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos.
 
O texto da Declaração Contra a Resistência aos Antibióticos da WAAAR, subscrito por 700 peritos de 55 países e apoiado por 140 sociedades académicas foi divulgado a 16 de setembro, em conferência de imprensa, no Porto.
 
O documento tem como objetivo sensibilizar a população em geral, prescritores/utilizadores de antibióticos (saúde humana, veterinária, agricultura), responsáveis políticos, líderes de opinião, organizações de doentes, indústria farmacêutica, organizações internacionais, para a necessidade de preservação do antibiótico, dos graves problemas de saúde que podem ocorrer devido ao recurso excessivo aos antibióticos e promover as medidas necessárias.
 
O aumento da resistência ao antibiótico tem-se vindo a registar nos últimos 20 a 30 anos e este problema tem chamado cada vez mais a atenção dos estados, explicou Artur Paiva, presidente da Associação Portuguesa para a Preservação do Antibiótico à agência Lusa.
 
Segundo o especialista, a exposição excessiva a antibióticos está a criar “progressão das resistências das bactérias” de forma que “estamos perto de ter bactérias que são totalmente resistentes ao antibiótico. Só há duas respostas a isto, uma é criar novos antibióticos, que as bactérias desconheçam e para os quais não tenham criado mecanismos de resistência, outro é usar melhor os antibióticos que temos de forma a prolongar a sua vida útil”.
 
“Portugal tem, desde 1999, um programa nacional de controlo da infeção, mas apenas desde 2007 tem um programa para prevenção das resistências”, salientou. “Em 2013, o Estado português resolveu juntar estes dois programas num único e, reconhecendo a importância do problema, deu-lhe um estatuto de programa de saúde prioritário”, sublinhou Artur Paiva.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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