Perfuração das luvas aumenta risco de infecções

Estudo publicado nos “Archives of Surgery”

23 junho 2009
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A perfuração das luvas cirúrgicas aumenta o risco de infecção da ferida cirúrgica nos pacientes que não recebem antibióticos antes da cirurgia, revela um estudo suíço.

 

Apesar dos esforços efectuados pelas equipas cirúrgicas para manter condições estéreis durante a cirurgia, os patogénicos podem ser transmitidos através do contacto com pele ou sangue. De forma a impedir a contaminação dos pacientes, as equipas de cirurgia utilizam luvas para criar uma barreira protectora. Contudo, quando as luvas são perfuradas por agulhas, fragmentos de ossos ou por instrumentos cirúrgicos pontiagudos, esta barreira é quebrada podendo ocorrer infecções. De acordo com um artigo publicado nos “Archives of Surgery”, a frequência de perfuração das luvas aumenta nos procedimentos cirúrgicos que duram mais de duas horas e pode variar entre os oito e os 50%.

 

Os investigadores liderados pelo Heidi Misteli, do University Hospital Basel, na Suíça, analisaram 4.417 procedimentos cirúrgicos executados entre 2000 e 2001 e verificaram que a perfuração das luvas ocorreu em 677 dessas cirurgias. A terapêutica com antibióticos administrada antes das cirurgias, por forma a impedir as infecções, foi realizada em 3.233 cirurgias, as quais incluíram 605 das cirurgias onde ocorreu perfuração das luvas.

 

No total, o estudo revelou que ocorreram 188 infecções de feridas cirúrgicas (4,5% das cirurgias), das quais 137 em procedimentos onde se verificou a perfuração das luvas e 51 em procedimentos nos quais as luvas permaneceram intactas.

 

Nas cirurgias que envolveram a administração de antibióticos, a perfuração de luvas não foi associada às infecções de feridas cirúrgicas. Nos pacientes que não receberam esta profilaxia antimicrobiana, os investigadores verificaram que a taxa de infecções das feridas cirúrgicas era de 12,7% quando ocorreu perfuração das luvas e 2,9% quando as luvas permaneceram intactas.

 

Os autores do estudo concluem que, apesar da utilização da profilaxia antimicrobiana ser uma estratégia a seguir, esta tem que ser, no entanto, balanceada com os custos e os efeitos secundários proveniente da profilaxia, como reacção a fármacos e aumento da resistência bacteriana.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

 

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