Perder o cônjuge pode ser fatal

Estudo publicado no NewSientist traz novos dados

21 julho 2010
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O denominado "efeito de viuvez" (quando o viúvo morre alguns meses após a perda do companheiro) pode ser causado pela combinação de stress com mudanças no sistema imunitário relacionadas com a idade, sugerem dados preliminares de um estudo da University of Birmingham, no Reino Unido, apresentados na revista “NewScientist”.

 

Estudos anteriores já tinham verificado que, entre homens e mulheres idosos, o risco de morrer no prazo de 3 meses após a viuvez aumentava entre 30% e 90%. Foi sugerido que este facto poderia estar associado a mudanças no sistema imunitário, mas o processo biológico exacto nunca foi desvendado.

 

Este novo estudo, liderado por Janet Lord, identificou algumas dessas mudanças e mostrou que o aumento dos níveis da hormona cortisol, causado por episódios stressantes, como, por exemplo, o luto, piora a situação.

 

O DHEAS (sulfato de dehidroepiandrosterona) é conhecido como um intermediário das hormonas sexuais, como a testosterona e o estrogénio, e tem ainda um papel no sistema imunitário. Enquanto o cortisol modera as reacções do sistema imune, o DHEAS impulsiona-as, e este equilíbrio entre os níveis de cada substância fortalece o sistema imunitário.

 

Os níveis de DHEAS atingem geralmente o pico aos 30 anos, começando a baixar a partir dessa idade.

 

Ao analisarem viúvos e viúvas com idade igual ou superior a 65 anos que estavam em luto há 2 meses, os investigadores verificaram que eles possuíam níveis mais elevados de cortisol, níveis mais baixos de DHEAS e neutrófilos com uma função deficiente, do que pessoas que não tinham perdido recentemente os seus companheiros.

 

Os neutrófilos são células imunes que constituem a primeira linha de defesa contra microrganismos.

 

Num estudo paralelo agora publicado, a mesma equipa verificou que as pessoas com mais de 66 anos que fracturaram a anca tinham uma relação deficiente entre os níveis de cortisol e o DHEAS, o que não acontecia com pessoas na mesma faixa etária, mas que não apresentavam fracturas. As pessoas que apresentavam uma maior disparidade entre os níveis da substância foram mais propensas a desenvolver infecções bacterianas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

 

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