Perda do cromossoma Y associada à doença de Alzheimer

Estudo publicado na “American Journal of Human Genetics”

27 maio 2016
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Os homens com células sanguíneas que não têm o cromossoma Y apresentam um maior risco de doença de Alzheimer e de mortes por outras causas, incluindo o cancro, dá conta um estudo publicado no “American Journal of Human Genetics”.

A perda do cromossoma Y afeta cerca de 20% dos homens com mais de 80 anos e é a mutação genética mais comum adquirida durante a vida do homem.
 

Neste estudo, investigadores da Suécia, França, Reino Unido, EUA e Canadá, decidiram analisar a perda do cromossoma Y em mais de 3.200 homens, que tinham em média 73 anos. Verificou-se que cerca de 17% tinham perda do cromossoma Y nas células sanguíneas e que esta perda aumentava com a idade.
 

O estudo apurou que os homens diagnosticados com doença de Alzheimer apresentavam um maior grau de perda do cromossoma Y e que a perda deste cromossoma era também um marcador do desenvolvimento da doença.
 

Uma vez que as mulheres não são portadoras do cromossoma Y e que os homens têm, em média, menor longevidade, é possível que esta perda esteja associada à morte prematura dos homens. Contudo, os investigadores referem que os mecanismos e causas destes achados ainda não estão completamente esclarecidos.
 

Atualmente estão a ser investigados os efeitos funcionais da perda do cromossoma Y e analisado o seu papel em diferentes grupos de homens e noutras doenças, de forma a perceber melhor quais os tipos de cancros associados a esta perda e se há uma relação com os sinais precoces de demência.
 

Por outro lado, ainda não se conhece de que forma a perda do cromossoma Y nas células sanguíneas pode estar relacionada com doenças noutros órgãos.
 

“As células sanguíneas que estamos a estudar estão envolvidas no sistema imunitário, e o facto de a perda do cromossoma Y nestas células estar associada à doença noutros tecidos é surpreendente. Colocámos assim a hipótese de a perda do cromossoma Y nas células sanguíneas fazer com que estas percam parte da sua função imune”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Jan Dumanski.
 

Estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigadores já tinham apurado que o tabagismo aumentava bastante o risco de perda do cromossoma Y (cerca de 400%). Contudo, este hábito tem um efeito transitório e encontra-se dependente da quantidade de tabaco consumido, assim, deixar de fumar pode reverter o efeito.
 

Os investigadores referem que a questão do diagnóstico e tratamento de doenças graves, como o cancro e a doença de Alzheimer, é mais difícil de abordar. No futuro poderia ser possível, por exemplo, utilizar um teste da perda do cromossoma Y para identificar os homens em risco e realizar avaliações oncológicas ou neurológicas para tentar detetar os sintomas precoces e ligeiros da doença.
 

A perda do cromossoma Y pode também tornar-se numa ferramenta de diagnóstico importante conjuntamente com outros biomarcadores que podem ser utilizados para prever o risco de várias doenças.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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