Perda de volume do hipocampo pode prever eventual perda de memória

Estudo publicado no “Scientific Reports”

08 agosto 2016
  |  Partilhar:
Períodos de stress relativamente curtos podem levar a uma redução do volume do hipocampo, o que está associado a alterações do comportamento, nomeadamente à perda de memória, relata um estudo publicado no “Scientific Reports”.
 
Todos estamos expostos a situações de stress na vida quotidiana – pressões no trabalho, questões financeiras, exames, doenças. Contudo, quando estas batalhas diárias se prolongam no tempo, ficamos sujeitos a stress crónico. Este stress crónico poderá, por sua vez, afetar uma parte do nosso cérebro denominada hipocampo, onde são armazenadas memórias de factos e eventos que necessitamos para organizar as nossas vidas (como números de telefone, nomes, datas e acontecimentos).
 
Cientistas do Centro Nacional para as Ciências Biológicas (NCBS), em Bangalore, Índia, e do Trinity College, em Dublin, Irlanda, procuraram perceber de que forma o stress afetava o hipocampo e, consequentemente, o comportamento.
 
Para tal, os investigadores submeterem ratinhos – um modelo animal muito usado para estudar questões relacionadas com o cérebro e comportamento, por reagirem de forma muito semelhante aos humanos em relação ao stress – a um período diário de stress de duas horas durante dez dias. Os cérebros dos animais foram analisados com ressonância magnética no decurso do estudo e a sua capacidade para formar memórias foi testada com dois tipos de teste diferentes.
 
Ao fim de três dias, a ressonância magnética revelou que o hipocampo dos ratinhos submetidos ao stress tinha diminuído.
 
“Foi um resultado totalmente inesperado. Normalmente as alterações estruturais apenas se revelam no cérebro passado algum tempo – cerca de 10 a 20 dias. Três dias nem sequer contam como stress crónico”, refere Sumantra Chattarji, do NCBS, um dos autores do estudo, em declarações reproduzidas no comunicado da instituição indiana.
 
Contudo, quando os cientistas testaram a memória dos animais, ficaram surpreendidos ao verificar que os ratinhos submetidos ao stress tiveram um desempenho semelhante ao dos ratinhos que não tinham sido submetidos ao stress, apesar da perda de volume do hipocampo dos primeiros.
 
No final dos dez dias, os cientistas apuraram que o hipocampo dos ratinhos submetidos ao stress tinha continuado a diminuir. Os resultados do segundo teste de memória revelaram, desta vez, um desempenho significativamente pior dos ratinhos submetidos ao stress em comparação com aqueles que não tinham sido expostos ao stress.
 
Os dados recolhidos ao longo do estudo revelaram ainda que, nos primeiros dias de stress, a diminuição do volume do hipocampo foi mais pronunciada do lado esquerdo, mas que, no final dos dez dias, foi a parte direita desta área cerebral que perdeu mais volume.
 
Outra das descobertas decorrentes da investigação teve que ver com o facto de se terem detetado diferenças individuais na forma como o regime de stress afetou os ratinhos. Além disso, o nível de perda de volume do hipocampo ao terceiro dia permitiu prever a diminuição verificada no final dos dez dias de stress. Quanto maior era a diminuição, pior era o desempenho dos ratinhos nos testes de memória no final dos dez dias.
 
“Isto vem reforçar a ideia de que a perda de volume é uma forma bastante fiável de prever as consequências comportamentais numa fase mais tardia”, afirma Chattarji.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.