Perda de neurotransmissor provoca perturbações comportamentais

Estudo publicado no “Molecular Psychiatry”

13 agosto 2015
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Uma equipa de investigadores descobriu que a perda de um neurotransmissor, numa determinada classe de neurónios, provoca “perturbações significativas” do desenvolvimento do sistema nervoso, levando a problemas comportamentais semelhantes àqueles registados na esquizofrenia e no autismo.
 
“Verificámos que a perda do recetor mGluR5, especificamente nos neurónios parvalbuminérgicos de ratinho, durante o desenvolvimento pós-natal, alterava as funções inibitórias normalmente desempenhadas por esses neurónios na rede neuronal”, revelou, em declarações à agência Lusa, um dos autores do estudo, o cientista português António-Pinto Duarte.
 
De acordo com o investigador, a consequência da ausência deste neurotransmissor é o aparecimento de “defeitos comportamentais semelhantes às verificadas em doenças como a esquizofrenia e o autismo”.
 
Esta descoberta permitiu, segundo os autores, “reforçar a ideia de que a configuração da rede neuronal pode ser afetada no período pós-natal, e não apenas durante a gravidez, confirmando a particular vulnerabilidade e suscetibilidade desse período a fenómenos patofisiológicos”.
 
A importância do recetor mGluR5 havia já sido demonstrada em estudos anteriores através das consequências relacionadas com a sua eliminação total do cérebro.
 
Contudo, “até agora, ninguém tinha estudado a sua função específica numa classe de células nervosas inibitórias denominadas ‘neurónios parvalbuminérgicos’, que se pensa serem cruciais para os mecanismos cognitivos”.
 
Os achados deste estudo são relevantes, na opinião dos autores, “não apenas por identificar um novo alvo terapêutico, mas também por servir de motivação a estudos futuros” que possam permitir compensar esse défice através de estratégias farmacológicas ou por terapia genética, salientou o cientista português.
 
António-Pinto Duarte é investigador da Universidade da Califórnia, San Diego, nos EUA, e faz parte do grupo de cientistas desta instituição que, juntamente com especialistas do Salk Institute, levaram a cabo este estudo publicado na revista especializada em psiquiatria “Molecular Psychiatry”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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