Perda de audição induzida pelo ruído: descoberta causa e mecanismo

Estudo publicado na revista “Cell”

10 novembro 2015
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Investigadores franceses descobriram a função de uma molécula que desempenha um papel importante no sistema de audição, dá conta um estudo publicado na revista “Cell”.
 
Os investigadores do Instituto Pasteur, da Universidade Pierre & Marie Curie e da Universidade de Auvergne, em França, constataram que a ausência desta molécula parece ser responsável pela perda de audição induzida pelo ruído, uma das principais causas de surdez.
 
Em 2006, uma equipa liderada por Christine Petit do Instituto Pasteur identificou um gene que era responsável pelo início precoce da perda auditiva neurossensorial. Este gene codifica uma proteína denominada por “pejvakin”. Estudos audiométricos realizados em indivíduos com mutações neste gene revelaram um nível invulgarmente elevado de problemas auditivos, no que diz respeito à severidade e características. Neste último estudo, os investigadores decidiram clarificar as razões desta heterogeneidade.
 
Para o estudo, os investigadores utilizaram ratinhos em que o gene pejvakin estava inativado tendo-se verificado grandes variações entre os animais, desde perda auditiva severa a profunda. Os ratinhos jovens são muito vocais nas primeiras três semanas de vida. Os investigadores verificaram que à medida que o número de animais aumentavam por jaula, aumentando consequentemente o ruido do ambiente acústico, maior era o seu limiar de audição – o nível mínimo de som que os ratinhos eram capazes de ouvir. Através da utilização direta da estimulação acústica controlada, os investigadores foram capazes de provar que o sistema auditivo dos ratinhos que não expressavam a pejvakin era afetado pelo seu ambiente acústico.
 
Posteriormente, os investigadores decidiram averiguar as causas fisiológicas deste fenómeno. Verificou-se que nos ratinhos com a proteína inativa, as células sensoriais auditivas ficavam danificadas assim que eles eram expostos a sons, aparentemente inofensivos – o equivalente a permanecer um minuto numa discoteca para os seres humanos. Estas células necessitam de duas semanas de silêncio para ficarem de novo funcionais. Com a exposição prolongada ou repetida, as células eventualmente morrem.
 
O estudo também identificou que o elemento sensível ao ruído na célula era o peroxissoma, um pequeno organelo envolvido na desintoxicação.
 
“Descobrimos que uma condição genética pode ser responsável pela perda auditiva induzida pelo ruído desencadeada mesmo por níveis de ruído muito baixos”, revelou, em comunicado de imprensa, Christine Petit.
 
Os investigadores observaram também que as células sensoriais auditivas em indivíduos com pejvakin afetada eram extremamente vulneráveis ao ruído. A realização de um teste auditivo a estes indivíduos com deficiência auditiva demonstrou que as respostas das células sensoriais auditivas e dos neurónios, embora normais no início, começaram gradualmente a piorar à medida que o teste foi progredindo.
 
A perda auditiva induzida por ruído está a tornar-se cada vez mais prevalente. A aglomeração urbana torna as grandes cidades cada vez mais ruidosas, especialmente nos países em desenvolvimento. A Organização Mundial de Saúde prevê que, até 2030, um bilhão de pessoas estará em risco de perda auditiva induzida por ruído.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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