Perda auditiva associada ao desenvolvimento de demência

Estudo publicado nos “Archives of Neurology”

18 fevereiro 2011
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Os indivíduos com problemas auditivos têm maiores probabilidades de desenvolver demência, um risco que aumenta à medida que a perda auditiva se agrava, sugere um estudo publicado nos “Archives of Neurology”.

 

De acordo com dados citados no estudo estima-se que até 2050, um em cada 85 indivíduos no mundo inteiro tenha desenvolvido demência. Estudos anteriores têm focado a sua atenção em identificar possíveis factores de risco para o desenvolvimento desta patologia, dado que, de acordo com os autores do estudo, “é mais eficaz prevenir do que reverter esta doença.” Os factores de risco identificados incluem: pouco envolvimento em actividades de lazer e interacção social, estado sedentário, diabetes mellitus e hipertensão.

 

Assim, de forma a perceber se a perda auditiva poderia ser também considerada um factor de risco, os investigadores do Johns Hopkins Medical Institutions, em Baltimore, EUA, contaram com a participação de 639 pessoas, com idades compreendidas entre os 36 e os 90 anos, que não sofriam de demência. Todos os participantes foram submetidos a testes auditivos e cognitivos, entre 1990 e 1994, e acompanhados até Maio de 2008, altura em que foram novamente submetidos a exames para verificar o desenvolvimento da doença de Alzheimer ou de outro tipo demência.

 

O estudo revelou que 125 dos participantes apresentavam deficiências auditivas leves (25 a 40 decibéis), 53 deficiências auditivas moderadas (41 a 71 decibéis) e seis deficiências auditivas severas (mais de 70 decibéis). Durante uma avaliação intermédia, efectuada ao fim de cerca de 12 anos, foram diagnosticados 58 casos de demência, entre os quais 37 estavam associados à doença de Alzheimer.

 

Os investigadores constataram que, em comparação com aqueles que tinham uma audição normal, os participantes que apresentavam perda auditiva leve tinham um risco duas vezes maior de desenvolver demência. Este risco triplicava nos indivíduos com perda auditiva moderada e quintuplicava naqueles com perda auditiva severa. Adicionalmente foi também verificado que para os participantes com mais de 60 anos, 36,4 % do risco de demência estava associado à perda da audição.

 

Quanto ao risco de desenvolvimento de Alzheimer, este também aumentou com a perda de audição, por cada dez decibéis de perda de capacidade auditiva, o risco aumentou 20%.

 

Vários mecanismos poderão estar teoricamente implicados na associação entre a surdez e a demência", referem os investigadores numa nota enviada à imprensa, acrescentando que as duas condições poderão partilhar o mesmo processo neuropatológico.

 

Na opinião dos autores do estudo, a perda auditiva pode estar associada à demência, possivelmente através de um esgotamento das capacidades cognitivas, isolamento social ou ainda da combinação dos dois factores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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