Perceção do tempo em dias em vez de anos faz-nos planear com mais antecedência

Estudo publicado no jornal “Psychological Science”

04 maio 2015
  |  Partilhar:
Um novo estudo publicado no jornal “Psychological Science” revelou que se contarmos o tempo em dias em vez de meses ou anos teremos a perceção de que os eventos futuros estão mais próximos. Aparentemente, esta sensação de proximidade faz com que sintamos vontade de planear as coisas com mais antecedência.
 
Os dois autores do estudo – Daphna Oyserman, da Universidade da Califórnia do Sul, e Neil Lewis Jr., da Universidade de Michigan, nos EUA – utilizaram diversos métodos para avaliar a relação entre as métricas de tempo e a tomada de ações para atingir objetivos.
 
Inicialmente, começaram por analisar de que forma as métricas temporais afetam a nossa perceção da proximidade temporal de um evento. 
 
Em dois dos estudos que levaram a cabo, estiveram envolvidos 162 participantes. Os investigadores apresentaram seis cenários aos participantes. Três deles faziam referência a métricas temporais e os outros três não. Nos primeiros, os participantes tinham de imaginar que estavam a desempenhar tarefas de preparação para determinados eventos – uma festa de aniversário, uma apresentação, um exame – e depois tinham de relatar quanto tempo faltava para esses eventos ocorrerem.
 
Os resultados revelaram que, quando os participantes avaliavam a distância temporal tendo por base unidades de tempo mais pequenas, os eventos pareciam ser menos distantes. Os eventos pareciam ocorrer em média 29,7 dias mais cedo se a métrica usada fossem dias em vez de meses e 8,7 meses mais cedo se a métrica usada fossem meses em vez de anos.
 
Os investigadores levaram também a cabo uma série de estudos em que avaliaram se as métricas temporais tinham influência na forma como os participantes planeavam as suas ações e se isso se devia ao facto de diferentes métricas poderem contribuir para nos sentirmos mais ligados ao nosso “eu” futuro.
 
Cerca de 1.100 pessoas participaram num estudo online em que tinham de imaginar os mesmos cenários tendo por base métricas temporais diferentes. Tinham de responder, por exemplo, quando deveriam começar a poupar para a faculdade dos filhos, daí a 18 anos ou 6.750 dias, ou para a reforma, daí a 30 anos ou 10.950 dias.
 
Os dados mostraram que as métricas temporais tinham influência no planeamento de ações. Os participantes planearam começar a poupar quatro vezes mais cedo quando o cenário era apresentado em dias em vez de anos. 
 
Ou seja, parece que quando pensamos em dias em vez de meses ou anos, o futuro nos parece mais próximo. Talvez por isso se o nosso “eu” futuro nos parecer mais ligado ao nosso “eu” presente, mais facilmente sentimos vontade de trabalhar para alcançar recompensas futuras.
 
Os investigadores sugerem, portanto, que usemos métricas temporais mais pequenas quando quisermos trabalhar para objetivos futuros. Segundo Oyserman, desta forma “investir no futuro não nos parecerá um sacrifício”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.