Peptídeos derivados de ovo diminuem a hipertensão

Estudo publicado no “Journal of the Science of Food and Agriculture”

12 janeiro 2011
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Cientistas da Universidade Autónoma de Madrid, Espanha, estudaram a capacidade vasodilatadora dos peptídeos obtidos após a hidrólise enzimática das proteínas da clara do ovo. Num artigo recente, demonstram que o seu estudo pode ter aplicações terapêuticas na prevenção e tratamento da hipertensão.

 

Nos últimos anos, vários estudos têm demonstrado que certos peptídeos, incluídos na sequência de determinadas proteínas alimentares, podem actuar modulando alguns processos fisiológicos, dando lugar a novas aplicações terapêuticas para prevenção ou tratamento de doenças crónicas.

 

Entre estas doenças destaca-se a hipertensão, um dos principais factores de risco cardiovascular. Um dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento desta doença é o aumento da resistência vascular periférica, ou seja, o aumento da resistência ao fluxo sanguíneo em artérias de pequeno diâmetro responsáveis por controlar a resistência vascular.

 

Um grupo do Departamento de Farmacologia da Universidade Autónoma de Madrid (UAM), liderado pelo professor Mercedes Salaices, investigou, em colaboração com o Instituto de Investigação em Ciências da Alimentação (CSIC-UAM), a capacidade vasodilatadora dos peptídeos obtidos após hidrólise enzimática de proteínas da clara do ovo.

 

Este trabalho, publicado no “Journal of the Science of Food and Agriculture”, teve como objectivo investigar, em primeiro lugar, o efeito de vários peptídeos derivados a partir de um hidrolisado da proteína da clara de ovo sobre a função vascular em artérias de resistência de animais normotensos (com tensão arterial normal) e esclarecer o seu mecanismo de acção e, por outro lado, tentar estabelecer uma relação entre a posição de certos aminoácidos na sequência do peptídeo e o efeito vascular.

 

As sequências estudadas foram identificadas num estudo anterior pelo grupo de investigação da UAM e, algumas delas, mostraram propriedades inibidoras da enzima conversora da angiotensina e/ou antioxidantes in vitro e/ou actividade anti-hipertensiva.

 

Os resultados obtidos indicam que alguns dos peptídeos estudados produzem um efeito vasodilatador directo sobre as artérias de resistência, chegando a produzir, nalguns casos, até 70% de relaxamento. Além disso, os investigadores descobriram que a posição de certos aminoácidos na sequência dos peptídeos parece ser importante para o desenvolvimento de respostas fisiológicas e para a activação dos diferentes mecanismos que levam ao efeito vasodilatador.

 

De acordo com os cientistas, é necessário aprofundar o estudo das vias moleculares envolvidas no efeito vasodilatador destes peptídeos, bem como realizar um estudo do seu efeito sobre as artérias de resistência em modelos de hipertensão para que possamos pensar em utilizá-los como ingredientes em alimentos funcionais úteis na prevenção e tratamento da hipertensão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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