Peixe-zebra pode ser a chave para tratar problemas no coração

Animais têm capacidade de regenerar células cardíacas

24 fevereiro 2003
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Muito comum em aquários e laboratórios, o peixe-zebra, um pequeno peixe às riscas pretas e brancas, pode ajudar o coração doente a regenerar-se sozinho. Um novo estudo mostra que o animal produz novas células e restaura totalmente o coração humano depois que 20 por cento do músculo ter sido cortado.
 

 

Especialistas contactados pela CNN dizem que esta descoberta é um importante avanço no novo campo da «medicina regenerativa», um esforço na área de investigação para aprender como recuperar órgãos doentes com células novas e saudáveis.
 

 

A maioria dos investigadores está a tentar promover o crescimento de novas células cardíacas, através das células-estaminais que se transformam em tecido cardíaco novo.
 

Mas uma equipa liderada por Mark T. Keating, da Universidade de Harvard, está a utilizar uma abordagem diferente. Os cientistas procuram os segredos genéticos que permitem que determinados animais, como o peixe-zebra, construam novas partes do corpo.
 

 

Uma vez que os genes da regeneração são encontrados no peixe-zebra, disse Keating, «é provável que haja genes correspondentes no genoma humano».
 

«É possível que isso leve à regeneração cardíaca humana? A resposta é sim, é possível», disse Keating, principal autor do estudo publicado na revista Science.
 

 

Keating, investigador do Instituto Médico Howard Hughes da Escola de Medicina de Harvard, escolheu o peixe-zebra - muito estudado em laboratório - porque já era sabido que o peixe de menos de três centímetros de comprimento podia regenerar as barbatanas e partes do olho. Até ao momento, ainda ninguém tinha feito testes para ver se o peixe-zebra podia fazer crescer as suas células do coração.
 

 

No estudo, os investigadores anestesiaram os peixes e rapidamente cortaram os abdomes para retirar cerca de 20 por cento das duas câmaras dos corações.
 

 

As incisões foram suturadas para interromper o sangramento e os peixes foram devolvidos à água. Oito dos 10 animais usados na experiência sobreviveram ao procedimento radical, segundo Keating.
 

 

E, passados 10 dias, algo impressionante aconteceu: os peixes da experiência começaram a nadar normalmente e estavam tão activos e saudáveis quanto os outros animais que não foram submetidos à experiência.
 

 

Depois de dois meses, Keating disse que os peixes tinham regenerado completamente os corações, substituindo todo o tecido perdido por novas células que bombeavam vigorosamente o coração. E, o mais notável, é que havia pouca ou mesmo nenhuma cicatriz. «Os 20 por cento dos corações cortados cresceram novamente e até foram um pouco mais além», disse Keating, que observou os peixes ao microscópio.
 

 

Isso contrasta muito com o que acontece às pessoas. Um paciente que sofre um ataque cardíaco pode recuperar, mas o seu coração nunca mais será o mesmo. «Há pouco ou nenhum crescimento do músculo cardíaco depois de um ataque do coração em humanos», disse Keating. Em vez disso, as células lesionadas são substituídas por tecido cicatricial que não se contrai como músculo nem conduz os impulsos eléctricos necessários para um batimento cardíaco normal.
 

Keating disse que o próximo passo será começar a identificar os genes do peixe-zebra usados para fazer crescer novas células do músculo cardíaco.
 

 

Descobrir os genes de auto-reparação do peixe-zebra, observou, «fornecerá chaves valiosas para perceber as razões pelas quais os corações humanos não se regeneram completamente ou ajudará a encontrar formas de estimular o coração humano a se regenerar».
 

 

John Fakunding, chefe do programa de pesquisa do coração do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue - parte dos Institutos Nacionais de Saúde - disse que Keating criou um modelo de laboratório que pode ser usado para aprender como fazer crescer novo tecido cardíaco em humanos.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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